O que é o Ciclo de Humanidades?
O Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais é um espaço de reflexão, exposição e conversa sobre ideias, autores e temas clássicos e contemporâneos. Organizado desde 2019, o Ciclo de Humanidades é concebido e organizado pelo Ateliê de Humanidades & a BiblioMaison/Consulado da França, tendo uma periodicidade mensal.
O Ciclo de Humanidades tem o objetivo de refletir, difundir, debater e traduzir ideias e autores, sobretudo de inserção francesa, francófona, alemã e/ou europeia, tendo sempre por eixo a formulação de problemáticas do tempo presente. Diante das crises atuais, ele tem intuito de articular as reflexões críticas e os diagnóstico de crise com uma atitude propositiva, disposta a pensar as reformas possíveis de serem feitas e as metamorfoses generativas em curso.
Sendo promotor e realizador do Ciclo de Humanidades, o Ateliê de Humanidades está voltado à excelência no ofício e à renovação criativa das humanidades e dos intelectuais, atuando na promoção de um esclarecimento sobre problemas (públicos e privados) e na proposição de agendas, reformas e soluções. Ele tem por vocação ser um mediador entre o mundo acadêmico, a sociedade civil e a esfera pública, realizando encontros, conexões e convergências entre empresas, profissionais, organizações, instituições, intelectuais, líderes e cidadãos.
Neste sentido, o Ciclo de Humanidades é uma iniciativa pública do Ateliê de Humanidades que busca avançar no cumprimento de sua missão, respondendo ao desafio de criar espaços intelectuais para além dos muros das Universidades, que proporcionem, para um público livre, espontâneo e heterogêneo, debates de nível de excelência que tenham, também, a preocupação de traduzir-se e de se fazer apropriar pelo público não especializado.
O que já foi tivemos no Ciclo?
Ele realizou, desde então, 40 encontros com distintos temas e dezessete entrevistas e participação de autores francófonos: Serge Paugam, Jean-Louis Laville, Françoise Vergès, Jean-Yves Camus, François Dubet, Pierre Lévy, Frédéric Worms, Nathalie Heinich, Dominique Lestel, Jean-Michel Besnier, Séverine Kodjo-Grandvaux, André Comte-Sponville, Marcel Gauchet, Loïc Blondiaux, Pierre Rosanvallon, Frédéric Gros, Emanuele Coccia, Alain Caillé, Geneviève Azam, Edith Planche, Frédéric Gros e Emanuelle Coccia.
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Ciclo de Humanidades 2025

As violências perseveram. E se espraiam. As guerras se multiplicam. E não terminam.
O que faremos com nosso presente? E o que o futuro nos reserva?
Guerra ou paz!?

1o encontro (25 de setembro) – Um mundo em guerra?
Os horrores das guerras em massa e das destruições industrializadas atormentaram as melhores mentes do século XX. No final do século, eles pareciam destinados a se tornar coisas do passado ou bem circunscritas, presentes somente na periferia da globalização. Todavia, a partir sobretudo de 2020, os conflitos se tornaram mais agudos e mundializados, com o desfazimento da ordem internacional e o agravamento das tensões entre as potências. Déjà vus invadem agora nossa mente, fazendo-nos recordar dos instantes mais sombrios do século passado.
Repetimos o mesmo ou enfrentamos o novo? Como compreender o que se passa e o que fazer diante disso? Para tanto, precisamos repensar este problema bem humano, e demasiado humano: o da guerra e paz. Faremos isso no primeiro encontro do Ciclo de Humanidades 2025, que será também a comemoração dos 120 anos do sociólogo e filósofo francês Raymond Aron (1905-1983). Em diálogo com seus livros, em especial Paz e guerra entre as nações (1962) e Pensar a guerra, Clausewitz (1976), conversaremos sobre as guerras – de ontem e de hoje –, abordando-as como um fenômeno histórico, sociológico e diplomático-estratégico.

2o encontro (30 de outubro) – A literatura em armas
A poesia cantava a guerra na Antiguidade, elogiando a excelência dos seus guerreiros, divinos e humanos. Herdeira do épico, a literatura medieval e renascentista narrou, em igual medida, a vida dos seus heróis, com seus feitos e destinos, entre o mito e a história. Com um Dom Quixote ou um Shakespeare, a literatura moderna foi ganhando formas novas, até surgir o romance e ocorrer, ao longo do tempo, um boom de temas e técnicas narrativas, típicas do experimentalismo moderno.
Salvo exceções, como o clássico Tempestades de aço, de Ernst Jünger (1920), as experiências das guerras, dos campos de concentração e dos totalitarismos no século XX levaram a literatura (incluindo a poesia) a se distanciar de vez do épico e assumir diferentes tarefas em relação às guerras, como as de compreender, testemunhar, combater, denunciar, pensar, julgar, precaver, prever, curar… Como a literatura nos faz, então, refletir sobre as guerras e responder a elas? O segundo encontro do Ciclo de Humanidades 2025 é dedicado a essa interrogação, o que será feito não apenas discorrendo sobre a literatura em geral, como também se debruçando sobre obras literárias clássicas e contemporâneas. Neste contexto, buscaremos realizar uma entrevista sobre o livro L’Écriture qui guérit: traumatismes de guerre et littérature (2025), de Nayla Chidiac.

3o encontro (27 de novembro) – Que guerra faz o homem?
Por que os humanos fazem guerras e o que as guerras fazem com os humanos? As guerras sempre existiram ou surgiram num instante da história? Existem sociedades em plena paz ou as guerras são intrínsecas à natureza humana? Quais os seus modos e razões de ser? Quais são os meios que os humanos inventaram para evitar a violência desenfreada e construir aquilo que chamamos de “paz”?
Tais interrogações nos convidam tanto à reflexão filosófica, quanto aos saberes antropológicos, arqueológicos e etnológicos. De um lado, um Thomas Hobbes pensou a guerra generalizada como um estado de natureza a ser superado pelo contrato social, onde o monopólio da violência tornaria possível a paz civil. De outro, criticando o etnocentrismo colonial, um Pierre Clastres desenvolveu a ideia das “sociedades contra o Estado”, nas quais as guerras adquirem uma função constitutiva distinta daquelas realizadas pelas sociedades com Estado.
Em diálogo com esses e outros pensadores – tanto filósofos (como Grotius, Spinoza, Rousseau, Gilles Deleuze, Carl Schmitt e Hannah Arendt), como arqueólogos e etnólogos (como Jean Guilaine e Anne Lehoërff) –, o terceiro encontro do Ciclo de Humanidades 2025 visa refletir sobre os fundamentos antropológicos da guerra. Neste contexto, buscaremos realizar uma entrevista sobre o livro Par les armes: le jour où l’homme inventa la guerre (2018), de Anne Lehoërff.
4o encontro – (dezembro) – A paz como projeto e potência

No primeiro encontro, desenvolvemos um pensamento sociológico, diplomático e estratégico que lida com a realidade concreta das guerras, seja para evitá-las ou enfrentá-las. Gostaríamos de concluir o Ciclo de Humanidades 2025 nos concentrando em especial no que o embaixador Celso Lafer chamou de uma “pesquisa construtiva da paz”, que consiste na diminuição dos conflitos internacionais por meio de mecanismos cooperativos que fortaleçam um mundo comum – capazes, eventualmente, de gerar uma “paz perpétua” (Kant).
O que é a paz? Quais são os tipos e modos de realização da paz? Quais são os meios, as instituições e as condições para construir uma “boa paz”? Assim, em diálogo com pensadores como Kant, Paul Valéry, Norberto Bobbio, Hannah Arendt, Jürgen Habermas, Raymond Aron e outros, pensaremos a paz não como uma realidade imposta meramente pelo poder ou pela impotência, mas sim como um projeto de potencialização, capaz de propiciar uma convivência justa, livre e satisfatória entre os humanos e os povos da Terra.
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Entrevistas do Ciclo de Humanidades
Programação e acervo do Ciclo de Humanidades
2023-2019
2023
Primeira rodada – Memórias para um futuro
1o encontro (25 de maio)
O que não podemos esquecer? Usos e abusos da memória

Por que lembrar? Por que guardar e narrar memórias? O que não podemos esquecer e o que, ao contrário, convém ser esquecido?
Existem muitas formas de cultivar a memória. Chegou-se, mesmo, a desenvolver na história uma “arte da memória”. No mundo moderno, as memórias do indivíduo e da coletividade foram muito valorizadas. Essa questão ganhou contornos dramáticos no século XX devido às violências ditatoriais e totalitárias. Com o recuo das ditaduras, a consolidação dos direitos humanos e a ascensão de críticas pós-coloniais, muitos passaram a defender um “dever de memória”, pois há crimes que devem ser nomeados, recontados e responsabilizados. Seria o caso, então, para alguns, de “nem esquecer, nem perdoar”, mas “culpar, castigar e punir”. Mesmo que seja necessário algumas vezes, há também os abusos da memória e as demandas de esquecimento. Nem tudo devemos lembrar, nem tudo podemos esquecer. Por isso, a arte do esquecimento é tão importante quanto as artes da memória.
Em diálogo com autores como Friedrich Nietzsche, Frances Yates, Paul Ricoeur, Tzvetan Todorov, Hannah Arendt, Pierre Vidal-Naquet e Catherine Coquio, o primeiro encontro do Ciclo de Humanidades 2023 se dedica a conversar sobre os usos e abusos da memória e do esquecimento.
2o encontro (29 de junho)
A literatura na sociedade do esquecimento

Como mostrou François Hartog, vivemos em um regime de historicidade “presentista”; poderíamos dizer, também, com Andreas Huyssen, que se trata de uma “cultura da amnésia”. Nossa “sociedade do esquecimento” muda a forma como lidamos com a memória, a narrativa, a escrita, e, enfim, com nós mesmos e o mundo. Neste segundo encontro, vamos refletir sobre o lugar da literatura, da leitura e da escrita nesta forma de sociedade. Como a literatura contemporânea expressa as transformações da memória? De que modo a escrita pode apontar para uma política de memória associada, de algum modo, a uma formação de si?
3o encontro (27 de julho)
A vergonha pode salvar o mundo? Testemunhos para o futuro

A vergonha é difícil de esquecer, mas ninguém gosta de lembrar. Em uma sociedade que promete que tudo é não apenas possível, mas também permitido, qual seria o lugar da vergonha como sentimento moral e político? Pode a vergonha – e o pudor – ser um ato de resistência, e mesmo de emancipação individual e coletiva?
Vamos dialogar três publicações fomentadas pelo PAP Drummond: A vergonha, de Annie Ernaux; A vergonha é um sentimento revolucionário, de Frédéric Gros; e Os condenados da terra, de Frantz Fanon. Indo na esteira do debate pós-colonial, que recupera as memórias do racismo, da escravidão e da colonialidade, nos interrogaremos partindo da provocação de Sartre feita no prefácio a Damnés de la terre de Fanon: “Tenha a coragem de lê-lo: por essa primeira razão que você terá vergonha, e a vergonha, como diz Marx, é um sentimento revolucionário”. Ter a coragem de olhar em face o que envergonha; ter o pudor de não se permitir tudo; e ter a força vital de responder àquilo que repulsa.
Segunda rodada – O artesanato do viver

4o encontro (28 de setembro)
O artesanato como modo de vida

Nas sociedades industriais e de mercado, o artesanal parecia relegado ao passado, pois era prometida à atualidade uma lógica universalizadora de padronização, serialidade e massificação. Contudo, em nossas sociedades pós-industriais, não apenas as antigas práticas artesanais continuam tendo seu lugar, como também a lógica do artesanal mostra ser mais que uma forma de fabricar objetos; ela é um modo de se relacionar com as coisas, com as pessoas, com o espaço-tempo e com o próprio mundo: o artesanato é um modo de vida.
Nos ateliês, os artesãos tecem em conjunto as coisas, as ideias, os corpos e as relações, numa atividade expressiva de si mesmo em relação com as coisas e as pessoas. Ao se apoiar no cuidado da coisa, na perícia do fazer, na qualidade do processo, no tempo próprio do fabricar e na ética do trabalho bem feito, a lógica artesanal permite conjugar, nas diversas esferas da vida, o que o mundo moderno dissociava: os sujeitos e as coisas, os corpos e as ideias, o tempo e a vivência, o trabalho e o prazer, a produção e o existir. Em diálogo com autores como Hannah Arendt, Richard Sennett, Domenico di Masi, Arthur Lochmann (autor de La Vie solide: La charpente comme éthique du faire, Payot, 2021) e Sophie Boutillier (autora, dentre outros, de Traité de l’artisanat et de la petite entreprise, organizado com Michel David e Claude Fournier, e de L’artisanat et la dynamique de réseaux), comporemos uma mesa com pessoas que pensam e vivenciam a lógica do artesanato.
5o encontro (26 de outubro)
Cultivar o senso prático

Como parte de um artesanato como modo de vida, somos artesãos de nossos corpos, seres e existências. Para tornarmos o que somos, para fazer o que fazemos, precisamos nos exercitar, construir hábitos, trabalhar sobre nós mesmos, a fim de nos esculpir segundo as ideias que temos do que somos e queremos fazer nos mais diversos aspectos: corpo, mente, afetos, relações, trabalho, criação. Nosso foco sobre o artesanato do viver envolve, portanto, a centralidade da formação de si e a produção de uma relação rica com os outros.
Como bem mostraram os gregos e helenistas, como Aristóteles, os estóicos e epicuristas, uma boa vida depende do cultivo de um senso prático, o que demanda um trabalho e exercício sobre si mesmo. Essas ideias são retomadas e atualizadas atualmente não apenas nas reflexões filosóficas sobre ética, mas também nos esforços de repensar a vida sócio-econômica, uma vez que a sociedade é mais do que o mercado e a produção de mercadorias, pois demanda, em medida ainda maior, que sejam produzidos “bens relacionais”. Em diálogo com autores como Aristóteles, Sêneca, Epicteto, Pierre Hadot, Martha Nussbaum e Luigino Bruni, conversaremos sobre este amplo desafio do ser humanos da antiguidade e da atualidade: o de exercitar e formar em nós mesmos um senso prático na relação com os demais, produzindo, com isso, um mundo comum.
6o encontro (30 de novembro)
Ter o cuidado do lar

É muito comum pensarmos e filosofarmos sobre problemas públicos e políticos; mas negligenciamos demasiadamente um aspecto fundamental de nossas vidas: o viver em nossa casa, o de existir em um lar. Basta refletirmos um pouco sobre a forma como fazemos nossas vidas, ou mesmo sobre o sentido que damos às nossas existências, para acabarmos encontrando duas coisas bem comuns: a necessidade de cuidar de um espaço doméstico e o anseio de ter um lar, de “estar em casa”. Como reproduzimos nossos espaços domésticos? O que é ter um lar? O que significa “estar em casa”? Como exercer a difícil, mas necessária, atividade de cuidar de um lar? Em diálogo com autores Gilberto Freyre, Emanuele Coccia (autor de Philosophie de la maison) e Mona Chollet (autora de Chez soi: Une odyssée de l’espace domestique, La Découverte , 2015), comporemos uma mesa para pensar estas questões não apenas com intelectuais que filosofam a respeito, mas também com pessoas que se dedicam a cuidar do espaço doméstico.
2022
Primeira rodada – A hora da democracia?




Segunda rodada – No tempo do sensível





2021
Recompor os fios da vida

Um humor de desesperança paira no ar. Pensar o tempo em que estamos imersos nos aparece como desafio insuperável; transformar a realidade que nos asfixia aparenta ser tarefa impossível. Nosso mundo se decompõe e a perplexidade nos imobiliza…
Viveremos em tempos de catástrofes?
O ar de uma nova estação sopra por todos os cantos. Todas as dimensões da vida estão em acelerada mutação e o casulo que nos envolve parece se desfazer para que algo de novo prepare o seu voo…
Viveremos em tempos de metamorfoses?
Não temos respostas cabais, porque não podemos saltar para fora de nossa época. A única certeza que temos é a demanda de pensarmos em conjunto e de forma renovada os desafios que se impõem a nós, como seres vivos, sociais e humanos, porque eles colocam em jogo nada menos do que nosso destino comum…
Para isso, precisamos ter o cuidado de recompor os fios da vida.
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No contexto de crise global que vivemos, propomos como problemática transversal do ano a vida em suas múltiplas facetas.
2020
O Ciclo de Humanidades 2020 iria começar no espaço da BiblioMaison no dia 26 de março de 2020 com o tema “A cidade porvir, pensar as crises de hoje, construir as vias do amanhã“, com participação de Vivian Blaso e Sydney Cincotto Jr. Com a pandemia, adiamos este Ciclo e realizamos a partir de maio e ao longo do ano de 2020 na forma digital e virtual.








2019

O I Ciclo de Humanidades foi realizado entre março e novembro de 2019, tendo um total de 10 encontros que trataram dos mais distintos temas e autores, percorrendo temas como: a ética em uma sociedade complexa; a dádiva como teoria e prática; os desafios postos às humanidades pelo anti-intelectualismo; a catástrofe climática e o Antropoceno; o retorno do religioso e das religiões em tempos de crise; o sofrimento psíquico e a sociedade (pós-)depressiva; o lugar do amor em suas múltiplas formas na teoria crítica; e a aceleração do tempo e suas consequências. Além disso, fizemos homenagem a Michel Serres por sua morte, tratando do contrato natural em diálogo com os ameríndios; e realizamos uma efemérides em comemoração aos 90 anos de Jürgen Habermas, refletindo sobre as atuais tentações do irracionalismo.










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Catálogo do Ateliê de Humanidades Editorial









