I Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais (2019)

Apresentação

Há uma percepção generalizada de que vivemos rápidas transformações em todas as dimensões da vida. Nas relações afetivas e íntimas, nas instituições sociais, na política, na economia, na cultura, nenhuma esfera da existência parece escapar a uma ansiedade que parece empurrar tudo quanto existe ao perecimento. São tempos de mutação e, por isso, de crises que se sucedem e se sobrepõem nos deixando perplexos, com dificuldades de compreender o que se passa e para onde estamos indo. Afora todas os problemas inerentes ao entendimento do mundo, de nós mesmos e dos outros, o “espírito do tempo” nos contemplou também com o ressurgimento de um velho desafeto das ideias: o anti-intelectualismo em ascensão, expresso tanto na reciclagem dos velhos obscurantismos quanto nas novas versões dos cientificismos.

Diante de tais desafios, o apelo à reflexão se renova. A fim de contribuir para o esforço coletivo de pensar o tempo presente e de buscar saídas humanamente viáveis para as encruzilhadas do labirinto em que nos encontramos, o Ateliê de Humanidades realizou em 2019 o I Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciência sociais, na BiblioMaison (biblioteca do Consulado da França no Rio de Janeiro), em parceria com o Consulado da França no Rio de Janeiro e também, devido ao processo de implementação do Instituto Franco-Alemão, com o Instituto Goethe. Em nosso Ciclo, buscamos articular as reflexões críticas e os diagnóstico de crise com uma atitude propositiva, disposta a pensar as reformas possíveis de serem feitas e as metamorfoses generativas em curso.

Com este intuito, percorremos pelos seguintes temas ao longo do ano:

  • A crise dos saberes e as reformas da ciência, do pensamento e da educação;
  • A crise existencial e dos valores, as reflexões éticas e as propostas de reforma de vida e de autonomia;
  • As crises e mutações das democracias contemporâneas e os desafios do político;
  • A crise ecológica, o Antropoceno e as propostas de ecologia política;
  • Crises, mutações e dinâmicas do sagrado e das experiências religiosas entre a existência, a ética e a política;
  • As crises e mutações do capitalismo, bem como as possibilidades de crítica e de transformação econômica e social.

Para tanto, refletimos sobre questões clássicas e contemporâneas por meio de um diálogo aberto com a filosofia, a antropologia, a sociologia, a ciência política e a psicanálise; e buscando realizar também uma conexão do pensamento francês com outras tradições, como a brasileira e a alemã. Trabalhamos assim ao longo do ano ideias e debates de autores franceses ou francófonos tais como Edgar Morin, Bruno Latour, Isabelle Stengers, Danièlle Hervieu-Leger, Luc Boltanski, Michel Serres, Pierre Rosanvallon, Alain Caillé, os intelectuais do Mouvement anti-utilitariste en sciences sociales (M.A.U.S.S.) etc. E, a partir de agosto, com a fundação em curso do Instituto franco-alemão, o Ciclo de Humanidades se tornou de agora em diante franco-alemão e europeu.

Local de realização

BiblioMaison (Av. Pres. Antônio Carlos, 58 – Centro)

Horário

19h-20:30 (podendo se estender até 21h)


Programação realizada em 2019

1o encontro:
ÉTICA COMPLEXA: religar o mundo, assumir o humano 
28 de março

Ciclo de Humanidades.Ética Complexa: religar o mundo, assumir o humano (evento gratuito)

O Ateliê de Humanidades propõe, no primeiro dia do Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciência sociais, a ser realizado mensalmente nas Quintas da Maison, um debate sobre a ética complexa, tendo por referência o pensamento de Edgar Morin, em especial, o tomo VI de sua obra maior, O Método (que teve publicação em português com apoio do Consulado da França e do Instituto francês do Brasil).

2o encontro:
CARTOGRAFIAS DO DOM: as vias do antiutilitarismo entre França e Brasil
25 de abril

Ciclo de Humanidades. Cartografias do dom: as vias do antiutilitarismo entre França e Brasil (evento gratuito)

Após termos refletido no primeiro encontro sobre o “paradigma da complexidade” e a “ética complexa” de Edgar Morin, o Ateliê de Humanidades & a Revista REALIS (Revista de Estudos AntiUtilitaristas e PosColoniais) irão realizar, no segundo dia do Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais (25 de abril), com a BiblioMaison e o Consulado da França no Rio de Janeiro, e em parceria com a Revue du MAUSS e a editora La Découverte, uma conferência e conversa sobre a gênese, a trajetória e a atualidade do Mouvement anti-utilitariste en sciences sociales [Movimento antiutilitarista em ciências sociais] (M.A.U.S.S.)…

3o encontro:
EM FACE AO INTELECTUALISMO: para que as humanidades?
29 de maio

4o encontro:
COSMOPOLÍTICAS PARA GAIA EM TEMPOS DE ANTROPOCENO
26 de junho

Ciclo de Humanidades. Cosmopolíticas para Gaia em tempos de Antropoceno (evento gratuito)

Juntamente com a BiblioMaison e o Consulado da França no Rio de Janeiro e em parceria com a Ubu Editora, o Ateliê de Humanidades propõe no quarto encontro do Ciclo de Humanidades, a ser realizado no dia 26 de junho, o tema Cosmopolíticas para Gaia em tempos de Antropoceno. Para tanto, convidamos como conferencista Alyne de Castro Costa (PUC-RJ), para que seja feito um debate sobre os desafios brasileiros e mundiais oriundos tanto dos tempos de Antropoceno quanto da atual composição de forças no Brasil, sem deixar de pensar, ao mesmo tempo, as possíveis respostas por vir.

5o encontro:
A REVANCHE DE DEUS!? Religião em tempos de crise
25 de julho

6o encontro:
RUMO A UMA SOCIEDADE PÓS-DEPRESSIVA? Perspectivas franco-alemães sobre o sofrimento psíquico
29 de agosto

Ciclo de Humanidades. Rumo a uma sociedade pós-depressiva? Perspectivas franco-alemães sobre o sofrimento psíquico (evento gratuito)

No próximo dia 29 de agosto, no Ciclo de Humanidades, o Ateliê de Humanidades, em parceria com a BiblioMaison / Consulado da França e o Goethe Institut / Consulado da Alemanha, se propõe a refletir sobre o sofrimento psíquico na contemporaneidade, considerando suas causas sociais, experiências individuais e articulações políticas. Para tanto, convidamos Arthur Bueno (Wissenschaftlicher Mitarbeiter da Universidade de Frankfurt e Associate Junior Fellow da Universidade de Erfurt), que dialogará a crítica social da Escola de Frankfurt – em especial a teoria do reconhecimento de Axel Honneth e teoria da aceleração de Hartmut Rosa – com o diagnóstico da “fadiga de ser si” feito pelo francês Alain Ehrenberg. Neste dia, teremos a oportunidade não apenas de analisar as molas da depressão e dos conflitos políticos atuais, como também de pensar sobre os sentidos da autonomia e o advento possível de uma sociedade pós-depressiva.

7o encontro:
ALÉM DA CRÍTICA: por que o amor importa?
26 de setembro

Ciclo de Humanidades. Além da crítica: por que o amor importa? (evento gratuito)

Apresentação Somos todos críticos! E é por isso que nós nos suportamos cada vez menos. Ser crítico tornou-se um estilo de existência, tanto para a direita quanto para a esquerda. Todavia, preceitos e ordens em robozinhos automatizados, vídeos no youtube e memes virais no whatsapp valem muito mais do que uma crítica bem fundamentada. Em… Continuar Lendo →

8o encontro:
MICHEL SERRES E O CONTRATO NATURAL: navegando com os ameríndios entre geometria e topologia
17 de outubro

Ciclo de Humanidades. Michel Serres e o Contrato Natural: navegando com os ameríndios entre geometria e topologia (evento gratuito)

No próximo dia 17/10, o Ciclo de Humanidades vai revisitar a questão do contrato natural, proposta pelo filósofo francês Michel Serres, que faleceu agora em 2019. Será uma oportunidade não apenas de homenagear um dos mais influentes pensadores franceses contemporâneos, como também de refletir, em diálogo entre a filosofia, a etnologia e a matemática, sobre quais tecnologias podem ser desenvolvidas em face ao Antropoceno.

9o encontro:
RESISTIR ÀS SEDUÇÕES DO IRRACIONALISMO: homenagem aos 90 anos de Jürgen Habermas
31 de outubro

Ciclo de Humanidades.Resistir às seduções do irracionalismo: homenagem aos 90 anos de Jürgen Habermas (evento gratuito)

No dia 31 de outubro, o Ateliê de Humanidades, em parceria com a BiblioMaison / Consulado da França e o Goethe Institut / Consulado da Alemanha, realizará o Ciclo de Humanidades em uma homenagem ao seu aniversário de 90 anos. Aproveitando o contexto de institucionalização do Instituto franco-alemão, refletiremos sobre a obra e o pensamento de um dos principais pensadores da democracia, dos direitos humanos, do direito internacional, do cosmopolitismo e da União Europeia. Pensar com Habermas a partir do Brasil é engajar-se em um diálogo intercultural, no qual é possível refletir não apenas sobre como a unidade da razão ressoa na multiplicidade de suas vozes, mas também sobre como resistir às forças contemporâneas de fragmentação, sectarismo e desrazão, construindo uma humanidade (e uma ordem internacional) comum através da polifonia dos povos e nações.

10o encontro:
NA MÁQUINA DO TEMPO: como viver em uma sociedade em (des)aceleração?
28 de novembro

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