Ciclo de Humanidades. Cartografias do dom: as vias do antiutilitarismo entre França e Brasil (evento gratuito)

Apresentação

Vivemos em um mundo em que o utilitarismo está disseminado e radicalizado. Pensamos e agimos como se todas as coisas que nos rodeiam, e nós mesmos, estivessem presas às amarras do auto-interesse e do cálculo utilitário. Sabemos que nossa sociedade passa por uma crise com várias facetas: fechamentos identitários e indiferença; esvaziamento do social e tolerância à injustiça; agressividade e violência difusas; cinismo quanto a valores; dissolução do público; e valorização de formas perversas de existência. Diante disso, propomos nos indagar: até que ponto tal múltipla crise não se deve ao fato de estarmos imersos em um paradigma utilitarista, que deve ser combatido, na teoria e na prática, por outro alternativo: um paradigma do dom?

Após termos refletido no primeiro encontro sobre o “paradigma da complexidade” e a “ética complexa” de Edgar Morin, o Ateliê de Humanidades & a Revista REALIS (Revista de Estudos AntiUtilitaristas e PosColoniais) irão realizar, no segundo dia do Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais (25 de abril), com a BiblioMaison e o Consulado da França no Rio de Janeiro, e em parceria com a Revue du MAUSS / La Découverte, uma conferência e conversa sobre a gênese, a trajetória e a atualidade do Mouvement anti-utilitariste en sciences sociales [Movimento antiutilitarista em ciências sociais] (M.A.U.S.S.). Vinculando-se a dois Planos de Convergência do Ateliê de Humanidades, o “Cartografias da Crítica” e o “Revolução do Dom”, iremos realizar, com a conferência de um principais líderes do MAUSS no Brasil e na América Latina, Paulo Henrique Martins (UFPE), uma recapitulação da história do MAUSS, apresentando os líderes, os colaboradores, os temas e as propostas de um dos mais fecundos movimentos intelectuais das ciências sociais contemporâneas.

Dialogando com os líderes franceses, Alain Caillé e Philippe Chanial, reconstruiremos a trajetória de difusão e recepção do antiutilitarismo no Brasil, cartografando os autores, temas e agendas de pesquisa desenvolvidos, bem como as trocas intelectuais, existentes e potenciais, entre franceses e brasileiros. Desta forma, buscaremos proporcionar não apenas um feixe de interpretação sobre as crises atuais e as possibilidades de crítica, como também uma outra forma de explicação e compreensão do mundo. Ao acentuar o “lado luminoso da vida social”, como diz Philippe Chanial, o paradigma do dom pode gerar talvez uma sinergia das tentativas hoje existentes de florescimento de modos de vida boa e justa.


Informações gerais:


Local: Espaço da Bibliomaison, Médiathèque da Maison de France
Av. Presidente Antonio Carlos 58, Centro, RJ, 11º andar.

Data: 25 de abril (quinta-feira)

Horário: das 19:00 às 20:30h (podendo chegar às 21h)

Objetivos

  • realizar uma recapitulação da história do Mouvement anti-utilitariste en sciences sociales (M. A. U. S. S.), apresentando seus autores, seus temas e suas propostas tanto teóricas quanto práticas;

  • reconstituir a trajetória de recepção do movimento anti-utilitarista no Brasil, realizando uma cartografia dos autores e dos temas desenvolvidos entre nós, bem como das trocas (existentes e potenciais) entre franceses e brasileiros;

  • pensar as crises contemporâneas e as possibilidades de resposta a partir da perspectiva do paradigma do dom e da ação antiutilitarista.

Certificação

Será disponibilizado Certificado, pelo Ateliê de Humanidades/BiblioMaison, para participação neste evento. Caso haja participação de no mínimo 75% dos dias, será dado o certificado de participação no Ciclo de Humanidades como um todo.

Conferencista

Paulo Henrique Martins

É mestre em Sociologia – Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne) (1979), doutor em Sociologia – Université de Paris I (Pantheon-Sorbonne) (1980 e 1991) e pós-doutor na Universidade de Paris-Nanterre (2001). É professor Titular de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É bolsista de Produtividade 1B do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e integra desde 2017 o Comitê de Assessoramento da área de Ciências Sociais-Sociologia do CNPq. Foi presidente da Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS) (2011-2013) e vice-presidente da Associação Movimento Anti-Utilitarista nas Ciências Sociais (MAUSS) (2009-2012). Na sua atividade intelectual busca articular de forma interdisciplinar os estudos sobre a dádiva, buscando diálogo permanente com a antropologia, com a política e com a psicologia; seus estudos em Teoria Social, Sociologia da Saúde e Sociologia do Poder revelam frequentemente os seguintes indicadores: dádiva, cidadania, democracia, solidariedade, políticas públicas, redes sociais, saúde e cultura.

Mediação

André Magnelli (Ateliê de Humanidades)


M.A.U.S.S.Realis

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