Entrevista com Françoise Vergès. Feminismo decolonial e antirracista

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, publicamos em homenagem a todas as mulheres a entrevista legendada em português de Françoise Vergès, que fizemos no contexto do terceiro encontro do Ciclo de Humanidades 2020, com o tema “Quando a raça importa?”. A entrevista foi feita em julho de 2020 por Flávia Rios.

Começamos com Vergès falando sobre sua trajetória e suas influências intelectuais, vindas da literatura, do femininismo (Angela Davis, bell hooks, feministas da América do Sul e do Caribe), do pensamento pós-colonial (Aimé Cesaire e Frantz Fanon) e das pessoas “anônimas”. Em seguida, Vergès discorre sobre a relação entre pós-colonialismo, decolonialismo e antirracismo, tratando da denegação constante da questão racial na França. Depois passamos para as críticas de Vergès ao feminismo europeu e sua posição em favor de um feminismo decolonial e interseccional. Por fim, terminamos com duas reflexões de Françoise sobre temas contemporâneos: de um lado, ela fala do modo como a pandemia explicita a condição de trabalhadoras e trabalhadores do cuidado, domésticos e materiais; e de outro, ela reflete sobre os movimentos antirracistas ocorridos com o assassinato de George Floyd, oferecendo-nos uma visão global e multifacetada das mudanças em curso no mundo.

Quem é Françoise Vergès?

É cientista política, historiadora, ativista e especialista em estudos pós-coloniais. PhD em teoria política pela University of California de Berkeley (1995). Lecionou na Sussex University e na Goldsmiths College, ambas na Inglaterra. Entre 2014 e 2018 foi titular da cátedra Global South(s) no Collège d’Études Mondiales da Fondation Maison des Sciences de l’Homme. Publicou diversos artigos sobre Frantz Fanon, Aimé Césaire, abolicionismo, colonialismo, pós-colonialismo, psiquiatria, memória da escravidão, processos de creolização no Oceano Índico e novas formas de colonização e racialização. É autora de Documentários sobre Maryse Condé e Aimé Césaire. Colabora regularmente com artistas, como no workshop Mapping the Post-Colonial Space (Cartografia do espaço pós-colonial]. Trabalhou como curadora de projetos da Documenta 11 (2002) e da Paris Triennale (2012). Como curadora independente, organizou do projeto de visitas guiadas “O escravo no Louvre: uma humanidade invisível” (Museu do Louvre, 2013) e as exposições “Dez mulheres poderosas” (2013) e “Haiti, medo dos opressores, esperança dos oprimidos” (2014) para o Mémorial de l’Abolition de l’Esclavage em Nantes [Memorial da abolição da escravidão].

Entrevistadora Flávia Rios

Professora de sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Além de assinar a introdução da edição brasileira de “Um feminismo decolonial“, de Françoise Vergès, Flávia é doutora pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, dá aulas na UFF, é coordenadora de licenciatura em ciências sociais da referida instituição e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa Guerreiro Ramos (IFHF-UFF). Negros em coautoria dois livros: “Negros nas cidades brasileiras” (2019) e “Lélia Gonzalez” (2010)

Tempo do vídeo: 43 minutos e 29 segundos

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