As violências perseveram. E se espraiam. As guerras se multiplicam. E não terminam.
O que faremos com nosso presente? E o que o futuro nos reserva?
Guerra ou paz!?
1o encontro (25 de setembro) – Um mundo em guerra?
Os horrores das guerras em massa e das destruições industrializadas atormentaram as melhores mentes do século XX. No final do século, eles pareciam destinados a se tornar coisas do passado ou bem circunscritas, presentes somente na periferia da globalização. Todavia, a partir sobretudo de 2020, os conflitos se tornaram mais agudos e mundializados, com o desfazimento da ordem internacional e o agravamento das tensões entre as potências. Déjà vus invadem agora nossa mente, fazendo-nos recordar dos instantes mais sombrios do século passado.
Repetimos o mesmo ou enfrentamos o novo? Como compreender o que se passa e o que fazer diante disso? Para tanto, precisamos repensar este problema bem humano, e demasiado humano: o da guerra e paz. Faremos isso no primeiro encontro do Ciclo de Humanidades 2025, que será também a comemoração dos 120 anos do sociólogo e filósofo francês Raymond Aron (1905-1983). Em diálogo com seus livros, em especial Paz e guerra entre as nações (1962) e Pensar a guerra, Clausewitz (1976), conversaremos sobre as guerras – de ontem e de hoje –, abordando-as como um fenômeno histórico, sociológico e diplomático-estratégico.
Convidados: Alessandra Maia (PUC-RJ) e Felipe Freller (USP)
2o encontro (30 de outubro) – A literatura em armas
A poesia cantava a guerra na Antiguidade, elogiando a excelência dos seus guerreiros, divinos e humanos. Herdeira do épico, a literatura medieval e renascentista narrou, em igual medida, a vida dos seus heróis, com seus feitos e destinos, entre o mito e a história. Com um Dom Quixote ou um Shakespeare, a literatura moderna foi ganhando formas novas, até surgir o romance e ocorrer, ao longo do tempo, um boom de temas e técnicas narrativas, típicas do experimentalismo moderno.
Salvo exceções, como o clássico Tempestades de aço, de Ernst Jünger (1920), as experiências das guerras, dos campos de concentração e dos totalitarismos no século XX levaram a literatura (incluindo a poesia) a se distanciar de vez do épico e assumir diferentes tarefas em relação às guerras, como as de compreender, testemunhar, combater, denunciar, pensar, julgar, precaver, prever, curar… Como a literatura nos faz, então, refletir sobre as guerras e responder a elas? O segundo encontro do Ciclo de Humanidades 2025 é dedicado a essa interrogação, o que será feito não apenas discorrendo sobre a literatura em geral, como também se debruçando sobre obras literárias clássicas e contemporâneas. Neste contexto, buscaremos realizar uma entrevista sobre o livro L’Écriture qui guérit: traumatismes de guerre et littérature (2025), de Nayla Chidiac.
3o encontro (27 de novembro) – Que guerra faz o homem?
Por que os humanos fazem guerras e o que as guerras fazem com os humanos? As guerras sempre existiram ou surgiram num instante da história? Existem sociedades em plena paz ou as guerras são intrínsecas à natureza humana? Quais os seus modos e razões de ser? Quais são os meios que os humanos inventaram para evitar a violência desenfreada e construir aquilo que chamamos de “paz”?
Tais interrogações nos convidam tanto à reflexão filosófica, quanto aos saberes antropológicos, arqueológicos e etnológicos. De um lado, um Thomas Hobbes pensou a guerra generalizada como um estado de natureza a ser superado pelo contrato social, onde o monopólio da violência tornaria possível a paz civil. De outro, criticando o etnocentrismo colonial, um Pierre Clastres desenvolveu a ideia das “sociedades contra o Estado”, nas quais as guerras adquirem uma função constitutiva distinta daquelas realizadas pelas sociedades com Estado.
Em diálogo com esses e outros pensadores – tanto filósofos (como Grotius, Spinoza, Rousseau, Gilles Deleuze, Carl Schmitt e Hannah Arendt), como arqueólogos e etnólogos (como Jean Guilaine e Anne Lehoërff) –, o terceiro encontro do Ciclo de Humanidades 2025 visa refletir sobre os fundamentos antropológicos da guerra. Neste contexto, buscaremos realizar uma entrevista sobre o livro Par les armes: le jour où l’homme inventa la guerre (2018), de Anne Lehoërff.
4o encontro (dezembro) – A paz como projeto e potência
No primeiro encontro, desenvolvemos um pensamento sociológico, diplomático e estratégico que lida com a realidade concreta das guerras, seja para evitá-las ou enfrentá-las. Gostaríamos de concluir o Ciclo de Humanidades 2025 nos concentrando em especial no que o embaixador Celso Lafer chamou de uma “pesquisa construtiva da paz”, que consiste na diminuição dos conflitos internacionais por meio de mecanismos cooperativos que fortaleçam um mundo comum – capazes, eventualmente, de gerar uma “paz perpétua” (Kant).
O que é a paz? Quais são os tipos e modos de realização da paz? Quais são os meios, as instituições e as condições para construir uma “boa paz”? Assim, em diálogo com pensadores como Kant, Paul Valéry, Norberto Bobbio, Hannah Arendt, Jürgen Habermas, Raymond Aron e outros, pensaremos a paz não como uma realidade imposta meramente pelo poder ou pela impotência, mas sim como um projeto de potencialização, capaz de propiciar uma convivência justa, livre e satisfatória entre os humanos e os povos da Terra.


















