Publicamos, no Fios do Tempo, mais uma análise após as eleições presidenciais de 2026.
Neste contexto pós-eleitoral, reflito sobre as decisões recentes dos ministros do STF, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, bem como sobre a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA.
Pensando no calor da hora, proponho os caminhos políticos e institucionais para superarmos a ópera bufa que nos atormenta há anos. O que fazer para que, efetivamente, algo novo possa emergir?
Desejamos, como sempre, uma excelente leitura!
A. M.
Fios do Tempo, 29 de outubro de 2026
Catálogo do Ateliê de Humanidades Editorial

Instituições ou barbárie!
Para acabar com a ópera bufa
Os presentes desajuizados dos nossos juízes
Não reconhecer o resultado das eleições era, desde o início, o jogo da família Bolsonaro. Todos já sabíamos disso. O inaceitável seria dar verossimilhança a mais uma bufonaria. Jamais podemos subestimar, contudo, a capacidade dos nossos juízes de fazer estragos desnecessários na vida democrática.
O ministro Cristiano Zanin, em sua desastrosa intervenção no pleito eleitoral, quando prorrogou monocraticamente as eleições passando por cima do TSE, já havia dado de presente um material utilíssimo para as teorias da conspiração. O que se deveria fazer é não agir e seguir para a apuração, deixando-se os casos alegados a serem julgados no tempo da justiça. Mas o que se fez, intempestivamente, foi jogar uma sombra sobre o pleito. Felizmente, o prejuízo da ação foi afastado do ponto de vista legal e institucional, pois o presidente do TSE Kássio Nunes finalizou, sem equívocos, o processo eleitoral; o argumento da quebra de isonomia, que poderia ser sério (porque de fato houve), se mostrou irrelevante com a distância entre o número insignificante de votos durante a prorrogação e a diferença total entre os candidatos; o Partido Liberal (PL), de Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Lula; os aliados passaram a tocar o barco para a fase pós-eleição; Flávio Bolsonaro recuou em relação ao patético discurso do dia da derrota e passou para a reivindicação de anulação de candidatura por abuso do poder econômico; e a comunidade internacional seguiu, normalmente, o protocolo de parabenização do presidente eleito.
O prejuízo de Zanin se manteve, contudo, em dois outros registros. Socialmente, a prorrogação deu força e vida às teorias que questionam a credibilidade da apuração eletrônica e, com isso, passaram a circular nas redes sociais conjecturas sobre como as 2 horas poderiam ter sido usadas para alterar o algoritmo de contagem dos votos. A quem ri de tais conspirações, vale lembrar que não podemos subestimar suas capacidades de difusão e de danos a médio e longo prazo, vide os movimentos antivacina e terraplanista. E politicamente, como todos sabemos, era fundamental que Trump reconhecesse de imediato a vitória de Lula – o que não era provável que ocorresse. Ainda que tenha se mantido em cima do muro em seu primeiro pronunciamento, Trump se baseou na ação desastrosa de Zanin para dizer que “coisas muito ruins” tinham se passado nas eleições e que, para ele, tinham sido fraudadas. De todo modo, o posicionamento titubeante do norte-americano foi uma oportunidade para o governo reeleito. No final do segundo dia, parecia que a possível crise política provocada pela bagunça eleitoral tinha passado. Bastava, apenas, entreter uma negociação eficaz com os EUA para que reconhecessem o pleito, afastando, então, qualquer possibilidade de crise geopolítica.
Eis, então, que um novo presente é dado para aqueles que se alimentam de perturbação institucional. O roteirista do Brasil ama ironias e, por isso, ninguém menos que Alexandre de Moraes entrou em cena, ao seu modo justiceiro enérgico e atabalhoado. Atendendo a um pedido feito pela Polícia Federal apenas 7 minutos depois das eleições, que demandava que os passaportes de Flávio Bolsonaro fossem apreendidos, Alexandre de Moraes tomou mais uma decisão recorde, ainda na noite de domingo, determinando a apreensão sem passar pela consulta da Procuradoria Geral da República (PGR). E, de forma curiosa, negou, ao mesmo tempo, buscas em endereços de Flávio Bolsonaro, como se estivesse a esperar uma boa vontade do senador, que conseguiu fugir com certa negligência (?) das instituições de Estado.
Movida por emoções, parte significativa do eleitorado do governo reeleito amou a decisão, como se fosse mais um gol de seu time. E, com a fuga do ex-candidato, muitos comemoram como se tivesse ocorrido uma goleada. Com efeito, existe uma síndrome do vencedor de eleições: achar que, por um passe de mágica, os que perderam somem. Pois bem, sinto dizer que os 59.000.000 de brasileiros que votaram nos Bolsonaros estão dispostos a acompanhar as suas versões e não serão convertidos, subitamente, em apoiadores de medidas cautelares tomadas, em fase de investigação, imediatamente após o término do pleito eleitoral.
O plano dos Bolsonaros de fugir da polícia e da justiça já estava traçado. Seu irmão Eduardo havia cantado a senha, dizendo que seria preciso fazer isso para fugir da “perseguição” do “sistema”. Mesmo sabendo disso, o decisionismo judiciário ofereceu dois presentes para que a família alegasse as conspirações “sistêmicas” e continuasse a ter protagonismo em bagunçar a vida política da nação. Caso ele fugisse com discurso vazio, sua posição diante do eleitorado seria frágil e risível. Mas os ministros do STF resolveram mergulhar, ainda mais, a sua credibilidade num poço sem fundo. O fato de que Flávio não está lutando luta nenhuma e só quer autoproteção para aproveitar o dinheiro que adquiriu de forma obscura não pode fazer esquecer que as instituições não apenas devem ser justas, como também precisam parecer justas aos olhos do povo.
A questão não é puni-lo ou não, mas a forma da lei. De boas intenções o inferno está cheio. Fora o fato de que um juiz não deve agir como político, nem como polícia, importa sinalizar que, na política, um cálculo mal feito pode ter efeito perverso: você pode querer chegar num fim, mas lança mão de meios que levam ao oposto. Assim, se, de fato, o interesse está em punir, legitimamente, um cidadão com enormes problemas na justiça criminal, a ação tem que ser conforme a isso, tanto institucionalmente quanto politicamente. O que implica dizer que cabe à polícia e à justiça tornar público o inquérito, adensar as provas dos crimes cometidos e lançar mão, no devido tempo e processo legal, de medidas como a apreensão do patrimônio, o pedido de extradição etc. Tudo o que o país não precisa é dar lastro a um conspiracionismo a ser difundido em um contingente de quase 60 milhões de brasileiros; tudo o que o país demanda é que as instituições funcionem emitindo sinais inequívocos de legitimidade para aqueles que votaram no candidato perdedor, esvaziando o discurso extremista que caracteriza o bolsonarismo. Depois de uma virada eleitoral, a pior coisa que deveria ter sido realizada foi o que de fato decorreu: sombrear a própria vitória da chapa Lula/Alckmin para lançar as luzes dos holofotes para o teatro golpista do perdedor.
Além disso, a era da ingenuidade acabou em relação ao ministro Alexandre de Moraes. O argumento de que ele só cumpriu uma determinação legal não é convincente nem mesmo para os eleitores de Lula. Ele está querendo recuperar, provavelmente, sua popularidade perdida, fazendo-nos esquecer os esqueletos que deseja ver de volta no armário. Algo de revanchismo também deve estar presente, com a ironia de que ambos, Alexandre e Flávio, estão envolvidos no mesmo esquema do Banco Master. Quem é legalista não deve defender Alexandre de Moraes, mas sim reconhecer que ele nem deveria estar no cargo de ministro do STF tomando decisão, pois precisaria se afastar (junto com outros, como Dias Toffoli e Kassio Nunes), para responder às graves acusações das quais também é objeto.
Encerrar a ópera bufa e fortalecer as instituições
Quem defende nossa democracia não deve virar torcida de disputas palacianas dos pretensos donos do poder. Não sejamos ingênuos, há interesses de distintas partes em não fechar o ciclo bolsonarista, distraindo a população com um novo ato da Ópera Bufa que nos atormenta há anos. Não podemos continuar mais quatro anos com “heróis” e “vilões” a se digladiarem em detrimento das instituições, sob aplausos, vaias, urros e catarses da plateia; se a virada eleitoral de Lula/Alckmin virou um símbolo para a geopolítica mundial como uma luta contra a extrema direita, ela será consistente apenas se mudar, de fato, o roteiro que anima a nossa democracia. A nação tem muitos problemas graves, por si mesmos, com os quais lidar e não pode se distrair com diversionismos. Chegou a hora de acabar com esse circo e fortalecer as nossas instituições, trabalhando, diuturnamente, para confluir as forças políticas no sentido de uma democracia republicana.
Alguns bons sinais na vida política foram dados imediatamente após a eleição. Começou-se a ventilar o encerramento do ciclo bolsonarista na direita brasileira. Tendo perdido como perdeu, Flávio Bolsonaro tem tudo (ainda) para virar um moribundo político. Seria ainda mais o caso se tivesse fugido sem pretexto… o que não aconteceu por falta de prudência. Erros individuais e coletivos não podem transformar um homem sem qualidades, como Flávio, em protagonista de uma estória de “patriotas lutando contra o sistema oligárquico”.
Portanto, temos que agir com racionalidade, e querer, efetivamente, que a superação aconteça. As lições desta eleição devem ser aprendidas, posto que o bolsonarismo mostrou ser muito mais forte do que em 2022, mesmo que na figura de um filho tão inepto. Infelizmente, não vejo qualquer garantia de que esse aprendizado tenha ocorrido. Nesse sentido, enfatizo que não se pode voltar à ilusão de que uma força social pode ser contida instrumentalizando instituições. Não! Uma força social deve ser esvaziada socialmente e com legitimidade democrática. Caso contrário, continuará a crescer, e de forma ainda mais avassaladora daqui a quatro anos, ou mesmo antes caso mantenha a liderança da maioria parlamentar – que, depois da fuga do país, está oportunamente a escapar das mãos dos Bolsonaro.
O que fazer, então? Em primeiro lugar, os irmãos, Eduardo e Flávio, devem ter seus palcos no exterior ignorados ao máximo por governo, mídia e aliados, sendo tratados com a baixa relevância que efetivamente têm. Eles têm que ser simplesmente ignorados em suas manobras de visibilização e protagonismo, como, por exemplo, na última bufonaria, pela qual Flávio se autoproclamou “verdadeiro presidente eleito”, depois “líder do Brasil”. Esse último ato pode lançá-lo no ridículo diante dos próprios eleitores, caso não se somem mais erros nas condutas das elites judiciária e política. Junto a isso, é preciso trabalhar uma aproximação entre o governo reeleito e Donald Trump, dissuadindo o americano de prestar atenção àqueles que lá estão e com os quais ele tende a se identificar. Vale lembrar, a esse respeito, o quanto lhe é repelente comportamentos muito serviçais, indignos de “homens fortes”. Interesses econômicos comuns podem ser postos na mesa como forma de provocar um reconhecimento rápido em um momento em que ele precisa se ocupar com as eleições de meio de mandato.
Além disso, a direita deve seguir o seu caminho. A fuga do candidato perdedor é uma ótima oportunidade para “desbolsonarizar” o PL e a direita como um todo. Inclusive, uma colaboração da base oposicionista com o governo se torna mais provável, revertendo, assim, a situação minoritária do executivo eleito. Não se pode aceitar que cálculos políticos considerem interessante, ainda, manter a família Bolsonaro como protagonista da oposição. Falo isso considerando não apenas a direita, como também a esquerda e o governo como um todo. Um bom governo depende, estruturalmente, de uma boa oposição. É de interesse de todos os democratas que tenhamos esquerda e direita fortes e propositivas nas próximas eleições. Não custa lembrar, também, que parte significativa da “direita” participou da reeleição de Lula e, portanto, este governo deve incluí-los como copartícipes, sem repetir o erro de se fechar, mais uma vez, em uma esquerda autorreferente e desconectada, em larga medida, dos desejos do povo.
Enfim, vale sempre manter a interrogação, a fim de não recair em erros: a quem interessa a ópera bufa? Trabalhando-se, sistematicamente, para superar a família Bolsonaro – considerando, todavia, que Michelle Bolsonaro pode ser, para tanto, uma legítima linha de fuga –, as instituições poderão olhar a si mesmas em suas verdadeiras faces, sem que sejam ocultadas diante de “aterrorizantes” inimigos. Confessemos: nosso espelho, quando encarado de frente, não é nada bonito. Precisamos reconstruir o funcionamento e a credibilidade das instituições. A começar com um basta ao modus operandi que se normalizou no STF. Sua autoimplosão em curso, pois está enredado em relações particularistas e promíscuas, deve ser contida com mudança de postura e reforma institucional. Juiz não é advogado de ninguém, nem ator político, muito menos candidato a rico. A função simbólica da justiça depende da imparcialidade e da reflexividade, como bem mostrou Pierre Rosanvallon em A legitimidade democrática. Recuperar a condição de Corte Constitucional, com a adequada presença de notáveis juristas, conscientes de sua atribuição funcional, tornou-se fundamental. Nesse sentido, as próximas indicações para o STF devem ser exemplares do ponto de vista republicano, primando pelo consenso em torno do notório saber do indicado e do seu caráter transpartidário; e deve-se mudar as regras de indicação, duração e exercício no cargo, suprimindo acúmulo de poder e conflitos de interesse.
Por fim, cabe ao governo agir com inteligência para desmontar nossa atmosfera autoritária. Além de zelar pelo funcionamento e pela credibilidade das instituições, é preciso desfazer os motores do bolsonarismo como força social. Parece que foi percebido, pelo governo Lula, o quanto é crucial, para isso, responder ao desafio da segurança pública. Cabe, agora, assumi-lo como agenda principal do novo governo. Continuar fracassando em oferecer um discurso determinado sobre o problema e em lhe dar uma resposta eficaz e decidida será o vetor principal para a perseveração da lógica de fazer política do bolsonarismo. O desafio “número um” não está apenas em melhorar os índices da segurança em todo o território nacional, mas também em recuperar os territórios das mãos das facções, devolvendo-os aos cidadãos.
Não temer o vazio do novo
Gostaria de terminar com uma linguagem psicanalítica que pode soar um pouco enigmática.
A neurose se realimenta, muitas vezes, da oposição ao perverso. Diz a pessoa neurotizada: “sofro porque existem perversos”; ao que complementa, inconscientemente: “preciso do perverso para continuar no meu sofrimento, repetindo este gozo ritualizado, compulsivamente afirmado”. O sintoma neurótico se apega a essa repetição. Se ele diz, de um lado, querer livrar-se do perverso-inimigo, de outro, torna-se um alvo fácil do perverso-protetor. Ou seja, ele quer um perverso para chamar de seu. Numa simbiose, o desejo de um “perverso-mais-potente” se torna o anseio para se salvar da perversão alheia. Falsos heróis de capa adoram assumir este lugar.
Algo extremamente difícil, num caso de neurose crônica, é aceitar que o perverso parta e o vazio emerja. Aceitar este vazio é permitir-se sair da compulsão à repetição. Abandonar o sintoma, assumindo o desejo responsável pelo próprio destino, custa mais do que amar a dor. Há muito apego na luta: “Como amo odiá-los!” – diz-se em íntimo – “Se tudo mudar, como serei eu, sem tantas desculpas, sem tantos a culpar? Quem poderá me proteger? Estarei perdido!”.
É como no poema do poeta grego Konstantinos Kaváfis, À espera dos bárbaros, de 1904, em que, depois da expectativa da chegada final dos bárbaros, os gregos acabam perdidos quando os outros não chegam em caráter terminal:
O que esperamos nós em multidão no Fórum?
Os Bárbaros, que chegam hoje.
Dentro do Senado, porque tanta inação?
Se não estão legislando, que fazem lá dentro os senadores?
É que os Bárbaros chegam hoje.
Que leis haveriam de fazer agora os senadores?
Os Bárbaros, quando vierem, ditarão as leis […]
Porque, sùbitamente, começa um mal-estar,
e esta confusão?
Como os rostos se tornaram sérios!
E porque se esvaziam tão depressa as ruas e as praças
e todos voltam para a casa tão apreensivos?
Porque a noite caiu e os Bárbaros não vieram.
E umas pessoas que chegaram da fronteira
dizem que não há lá sinal de Bárbaros.
E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?
Essa gente era uma espécie de solução.
Nosso país não carece de barbárie, com a qual temos que lidar diariamente; e essas eleições foram algo muito distante de uma mera espera, passiva; ao contrário, lutou-se, coletivamente, para evitar que uma família indigna de nossa democracia retornasse ao poder.
Contudo, nossa psiquê coletiva se apega ao estado de barbárie e tem medo de sua superação. Falo como alguém que vivencia isso, cotidianamente, na cidade do Rio de Janeiro. O medo dos bárbaros anda junto com sua normalização, quase que uma dependência existencial. É como se a barbárie nos colocasse no lugar fácil da denúncia fatalista. Boas almas diante de um mundo cruel do destino, que se desfaz, distopicamente, em torno de nós.
Ora, os bárbaros são, de alguma forma, “uma espécie de solução” para a carência de um pensar e fazer políticos. Por isso, um vazio responsabilizador tem que ser cultivado para que algo novo efetivamente emerja. O Brasil, se fizer a coisa certa, pode realmente construir um pós-bolsonarismo, que deverá ser também um pós-lulismo. Para tanto, temos que sair do jogo das perversões e trabalhar para instaurar a Lei do nosso desejado (ou não?) “Estado Democrático de Direito”. Isso demanda um trabalho de fortalecimento simbólico da democracia. Menos espelhamento imaginário, mais simbolização; menos entropia, indiferenciação e homogeneização, mais duração, diferenciação e consistência; menos bode expiatório na violência mimetizadora, mais laços construtivos de convivência entre livres e iguais.
Cultivemos isso, saindo das nossas bolhas protetoras, com todas as nossas forças.

ANDRÉ MAGNELLI é idealizador, realizador e diretor da instituição de livre estudo, pesquisa, escrita e formação Ateliê de Humanidades (ateliedehumanidades.com).
Sociólogo, professor, pesquisador, editor, tradutor, mediador cultural e empreendedor civil/público. É editor do Ateliê de Humanidades Editorial e do podcast República de Ideias. É editor da tribuna Fios do Tempo: análises do presente. É curador do Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais, co-organizado com o Consulado da França no Rio de Janeiro. Pesquisa na interface de teoria social, tecnociências & sociedade, sociologia histórica do político, teoria antropológica, ética, filosofia política e retórica.
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