Publicamos hoje, no Pontos de Leitura, o meu prefácio ao livro Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação americana (Ateliê de Humanidades Editorial, 2025, 2a edição), de Rubem Barboza Filho.
Este prefácio é composto em três passos: inicio contando a história sobre como nasceu o projeto de publicar uma segunda edição de “Tradição e artifício” pelo Ateliê de Humanidades; em seguida, apresento as razões pelas quais considero esta obra um clássico sobre a nossa formação; e termino com uma breve exposição da sua força, como uma espécie de convite para que você, leitor/a, nele se debruce.
Desejamos, como sempre, um excelente achado!
A. M.
Pontos de Leitura, 31 de julho de 2025

Combo “Tradição e artifício” e “Sinfonia Barroca”
Combo dos dois livros clássicos de Rubem Barboza Filho: “Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação americana” e “Sinfonia barroca: o Brasil que o povo inventou”.
Tradição e artifício:
um clássico da formação ibero-americana
Estávamos em 2010. Como estudante de mestrado em sociologia, eu acompanhava aquele que seria o último curso de Luiz Werneck Vianna no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ-UCAM), que tinha por tema “Leituras selecionadas sobre a moderna interpretação do Brasil”.1 Dentre as obras estudadas – escritas por gente como José Murilo de Carvalho, Maria Alice Rezende de Carvalho, Elisa Reis, Octávio Velho, José de Souza Martins, Simon Schwartzmann, Fernando Henrique Cardoso, Raymundo Faoro, Wanderley Guilherme dos Santos e Leandro Konder –, deparei-me com um livro cujo autor ainda não tinha ouvido falar: Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação americana (2000), de Rubem Barboza Filho. Conforme o lia, linha a linha, debruçado sobre uma péssima xérox frente/verso em formato aberto (porque a edição já estava esgotada e inacessível a pobres estudantes), fui adquirindo uma convicção que jamais me abandonou. Motivado por um espanto típico das revelações filosóficas, passei a comentar com colegas, em eventuais ocasiões, que Tradição e artifício é um dos clássicos do pensamento brasileiro e ainda está por ser reconhecido por isso.
Continuei por longos anos sem ter qualquer contato com o autor, exceto o fato de ter recebido uma vez um e-mail do saudoso Werneck Vianna, que falou que “Rubinho” tinha ficado feliz por certa referência que eu havia feito a ele, aludindo provavelmente a um comentário ao Manifesto Convivialista, onde eu remetia à sua tese da linguagem dos sentimentos na democracia. Somente viemos a nos conhecer, de fato, quase uma década depois, em 2019, quando fomos apresentados por Felipe Maia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde realizamos uma mesa-redonda para o lançamento de Uma democracia (in)acabada: quadros e bordas da soberania do povo com Pierre Rosanvallon – livro que estreava o catálogo do Ateliê de Humanidades Editorial. Neste momento, por óbvio, reiterei ao seu lado, diante do público, minha convicção de que o colega tinha escrito um clássico, afirmativa que, com seu habitual bom humor, Rubem checou de imediato se todos tinham ouvido muito bem… No cafezinho, como se fôssemos velhos conhecidos, já começamos a matutar sobre o projeto de uma nova edição de Tradição e artifício. Com oscilações entre momentos mais esporádicos e intensivos, este foi o motor da nossa comunicação a partir de então.
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A qualificação de “clássico” tem um peso para quem pondera as palavras que usa. Deixem-me dizer o que entendo por isso. Em primeiro lugar, Tradição e artifício é um clássico porque realiza um modo de pensar típico das obras clássicas do dito “pensamento social brasileiro”, que consiste em refletir sobre os problemas do presente através de uma interpretação do conjunto da formação nacional e/ou civilizacional. Ele o faz em diálogo com elas, embora, às vezes, isso seja captável somente nas entrelinhas. O livro não é um novo comentário sobre clássicos, mas uma investigação com a mesmíssima ambição e força, o que resulta numa interpretação original da formação ibero-americana.
Certamente, Tradição e artifício não é a primeira obra a abordar nossas questões através das origens ibéricas do continente e do país. No caso brasileiro, temos As populações meridionais do Brasil (1920/1952), de Oliveira Vianna, Casa Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, e Os donos do poder (1958), de Raymundo Faoro, que fizeram o mesmo, cada qual ao seu modo. Contudo, este livro é uma outra história da formação ibero-americana, que visa a desfazer os equívocos, sedimentados na tradição, que reiteram a ideia de que o iberismo seria nosso fardo contra o qual deveríamos romper para nos realizar em conformidade com algum modelo europeu ou norte-americano. Nesse sentido, ele pode ser lido como uma refutação sistemática de Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Holanda2 e Raymundo Faoro. E, quando contrastado com tais realizações, sua qualidade ressalta às vistas. Por exemplo, as premissas sobre o iberismo em Raízes do Brasil ou em Populações meridionais se mostram singelas demais em face à exposição de Tradição e artifício; e a história de Portugal e do Brasil de Os donos do poder, embora seja extensa e documentada, se torna pouco verossímil e quase mistificante, em toda sua retórica trágica, quando posta à prova pela arejada historiografia do nosso autor.
Evidentemente, o iberismo de Tradição e artifício o aproxima, de algum modo, de Gilberto Freyre, e há muito o que explorar nesta interlocução.3 Contudo, a orientação teórica, metodológica e política de Rubem é bem distinta daquela do sociólogo pernambucano. Se existe alguma inspiração maior, ela vem não somente de O espelho de Próspero de Richard Morse – fato mencionado no Prefácio à 1a edição –, como sobretudo do próprio Luiz Werneck Vianna, que teve um papel de mediador-chave, como intérprete do Brasil e orientador do doutorado. De todo modo, ainda que se situe na esteira das questões de A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil (1997), o que lemos em nosso livro tem um estilo e um resultado muito distintos. Pois a melhor forma de louvar o mestre é saber ir, consigo, além dele.
Isso me conduz a um segundo ponto a respeito do sentido de “clássico”: a universalidade de Tradição e artifício enquanto obra de pensamento. As qualidades de Rubem Barboza Filho possibilitam algo raro em qualquer canto: trata-se de um cientista social que tem, ao mesmo tempo, erudição histórica e domínio conceitual com amplo arco filosófico, que inclui não apenas as filosofias antiga, moderna e contemporânea, como também a mais marginalizada filosofia medieval (o que, no seu caso, envolve a competência de leitura em latim). Desconheço, por exemplo, alguma obra de ciências sociais sobre nossa formação que tenha tal domínio filosófico-conceitual, sendo o mais próximo disso, talvez, Sérgio Buarque de Holanda. Esse caldo de cultura de estilo interdisciplinar permite que cada capítulo valha por um pequeno livro, abordando questões históricas e conceituais que possuem interesse universal e transcendem o público brasileiro ou hispano-americano, não deixando nada a dever aos autores dos “centros” europeus e norte-americanos, com os quais ele dialoga e sobre os quais constrói, com engenho, o próprio pensamento. Portanto, não tenho dúvidas de que filósofos, juristas e historiadores encontram aqui desenvolvimentos inéditos que fecundam as problemáticas que lhes são caras, do mesmo modo que não duvido muito que os colegas da península ibérica possam tomar este livro como uma exposição original de si mesmos, de modo que venha a ser usado tanto como material de formação, quanto como alimento para a renovação dos debates em seus próprios países.
Tenho ainda um último ponto sobre minha adjetivação entusiasta: trata-se do estilo de expressão da forma escrita. Mesmo que adentre problemas históricos difíceis e movimentos conceituais complicados por si mesmos, e muito embora esteja a resgatar, positivamente, o modo barroco da existência latino-americana, Rubem Barboza Filho faz tudo isso num estilo clássico de escrita – claro, distinto e argumentativo –, sem recair, assim, em quaisquer firulas “barroquistas” (coisas de epígonos e pasticheiros). Isso lhe dá uma potência hermenêutica para transcender seu contexto e interpelar a qualquer um, por todo lugar, em qualquer tempo. E o gabarita, desse modo, a adentrar fecundamente no jogo de aprendizados da “história efeitual” de nossa tradição (aludo a Hans-Georg Gadamer), o que concretizaria Tradição e artifício como uma obra clássica de fato, e não apenas em potência, dispensando enfim o meu esforço argumentativo. Todavia, esse processo depende da contigente trama das instituições e da própria história dos conceitos e do político, onde nada está garantido e tudo está por se fazer. Isso é coisa, claro, que só o tempo dirá.
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Gostaria de encerrar expondo o que penso ser a força de Tradição e artifício. É um bom modo, creio, de convidar o leitor a debruçar-se sobre esta nova edição.
A obra defende uma tese central, segundo a qual a Ibéria é uma variante civilizacional do Ocidente, fundada em premissas próprias sobre o mundo, o humano, os valores e a sociedade. Ela constitui uma modalidade singular de vida em comum e de relação com o poder. O capítulo I apresenta como a tradição ibérica se vincula com a formação do Ocidente. Desde Homero até um Camões ou Cervantes, acompanhamos o fio sutil que transmuta as “belas palavras e belas ações” dos gregos em “as letras e as armas” dos ibéricos, com a paideia greco-romana adquirindo contornos específicos na hidalguía hispânica. Em seguida, são expostas as distintas posições acerca do lugar da Ibéria no mundo moderno, problemática que animou – e torturou – a fina flor da intelectualidade espanhola e portuguesa dos séculos XIX e XX. Ou seja, em apenas um capítulo, já navegamos por 2.500 anos de história, sem que percamos o rumo em direção ao continente almejado pelo autor.
Por sua própria natureza, a reflexão atormentada sobre a Ibéria na modernidade remete a uma tentativa de compreensão da sua história nos “gloriosos” tempos passados, os chamados “Séculos de Ouro” (XV e XVI). O capítulo II se volta a esse debate. Rubem muda então de pele, pois deixa a figura do erudito para assumir a de um cientista social que discute a literatura sobre o Estado ibérico e sua relação com o Absolutismo e o Capitalismo. Com a leitura de cinco obras (Perry Anderson, António Manuel Hespanha, Giovanni Arrighi, Fernand Braudel e Richard Morse), ele compõe um quadro analítico que serve de base para suas teses acerca do territorialismo ibérico, do caráter negociado da gestão do poder real e do neotomismo como via do Ocidente.
Em seguida, o capítulo III – que pode ser visto como uma propedêutica para uma segunda parte – nos presenteia com uma reconstrução da formação da Ibéria e de seus reinos no período medieval, um conhecimento que poucos detêm no Brasil (e não duvido que seja também um saber escasso entre portugueses e espanhóis). Este trabalho nos lança direto no miolo, onde a saga passa por três capítulos sobre a formação do Ocidente e a singularidade da Ibéria. O robusto capítulo IV, que valeria por um livreto, se ocupa do mundo europeu não ibérico, expondo as “premissas e alternativas do Ocidente”, de modo a montar um quadro dos possíveis que emerge na Idade Média e se transforma com o humanismo e o protestantismo; e os capítulos V e VI se dirigem especificamente para a formação da Ibéria.
Recordo que Werneck Vianna, no Prefácio à 1a edição, equipara Tradição e artifício a um Quentin Skinner. Acho justo, mas creio que Rubem faz algo diferente de uma “história das ideias”. Ao meu ver, trata-se de uma aventura em busca de uma démarche além de Marx, o que inclui um diálogo, bem ao espírito do barroco, com a própria tradição marxista. Poderíamos dizer que, além de se contrapor a Vianna, Sérgio Buarque e Faoro, Rubem ensaia uma alternativa às teses reducionistas sobre o primado hermenêutico do econômico (ou do capitalismo) na explicação do social e, por isso, tem uma interlocução crítica com interpretações como as de Caio Prado Jr., Florestan Fernandes e dos teóricos da dependência. Para tanto, ele erigiu a própria abordagem, sem que tivesse precedentes em nossa tradição, e, ao meu ver, acabou se aproximando, sem que soubesse na época, de uma “história filosófica (ou conceitual) do político” (nos termos de Pierre Rosanvallon) – talvez em função de um elo proporcionado pelo uso de Os dois corpos do rei, de Ernst Kantorowicz.
Em função da sua sensibilidade à natureza simbólica do social e do poder (o que Claude Lefort chama de “o político”) e também de seu fino adestramento filosófico, ele analisa as metamorfoses conceituais ao longo da história em suas articulações com as práticas e instituições. De modo semelhante aos autores do que denomino de “vertente francesa da teoria crítica”, seu movimento para além do marxismo mantém o interesse emancipatório característico de uma teoria crítica e o conduz a uma aproximação em relação ao pragmatismo filosófico (o que, em seu caso, envolve a filosofia pragmatista da linguagem). Ele se aproxima da abordagem pragmatista a partir e através do barroco, em uma reflexão que é empreendida com consciência crescente ao longo dos 25 anos que se seguiram à 1a edição deste livro. Independentemente disso, se nos detemos apenas na “fenomenologia histórica” realizada com maestria nesta obra, considero que as investigações sobre o político (o que inclui o “teológico-político”) – feitas, por exemplo, em Permanência do teológico-político? (1981), de Claude Lefort, e de Le désenchantement du monde: une histoire politique de la religion (1985), de Marcel Gauchet4 – são enriquecidas aqui, pois Tradição e artifício elucida uma figuração política própria a um território não desbravado ainda: a Ibéria e suas metamorfoses ibero-americanas.
Os capítulos já mencionados ilustram a questão. Na reconstrução do campo dos possíveis do Ocidente no capítulo IV (e em passagens do capítulo V), Rubem mostra como as elaborações filosóficas e teológicas de Agostinho se desdobraram numa concepção providencialista do tempo, até serem mutadas, contra si mesmas, em uma estrutura de poder monárquico e sacerdotal (a “teocracia pontifical”); e, simultaneamente, ele acompanha os outros desenvolvimentos na Idade Média e na aurora da modernidade (Pedro Abelardo, Tomás de Aquino, franciscanos, dominicanos, Duns Scot, Guilherme de Ockham, os humanistas italianos e setentrionais, os protestantes) que implicam distintas possibilidades conceituais, simbólicas e institucionais de poder e comunalidade. Trata-se, assim, de uma história das metamorfoses teológico-políticas, que elucida a emergência, variação e transformação de noções como as de Império, Coroa e Reino. Diga-se claro que esta história filosófica, de orientação fenomenológica e sensibilidade pragmática, não é realizada em detrimento das transformações sociais e econômicas; ao contrário, essas últimas são incorporadas dentro de uma interpretação histórico-estrutural atenta ao movimento do conjunto.
A consequência construtiva dessa démarche se mostra no restante da obra. Os capítulos V e VI expõem a singularidade da Ibéria, que se caracteriza por uma “fome de espaço”, isto é, pela prioridade do espaço (em movimento expansivo e controlado) sobre o movimento do tempo. Isso a diferencia das “sociedades da história” que emergiram no mundo protestante e francês. Não se trata de um retrato romantizado, tampouco de uma caricatura pejorativa; a pintura de Rubem é, a um só tempo, realista e loquaz, sedutora e sistemática. Ele visa compreender como a Ibéria adentrou a modernidade com seus próprios dilemas, tragédias e potências. Junto com seu territorialismo, ela realiza um enlace singular entre o teológico e o político na figuração do poder e da comunalidade. Com um protagonismo das ordens religiosas, formou-se tradicionalmente uma noção de rei como sacerdote, numa sociedade marcada pelo ethos do guerreiro cristão. Quando atravessada por uma série de conflitos após a Reconquista, o neotomismo emergiu como um horizonte, sobretudo na Espanha, com Francisco de Vitória e Francisco Suárez, estabelecendo um conceitual moderno, e também, como diz Rubem, uma tecnologia. Em disputas com o escatologismo franciscano (de matriz agostiniana) e com os humanismos, o neotomismo elabora uma concepção de Estado que deixa de querer ser um Império Universal e passa a ser exercido por um poder absoluto singular, em que o rei se torna a subjetividade condensada do social, uma alma animada da justiça e da lei que garante a integridade e totalidade por meio da distribuição do que é tido por justo em uma sociedade ordenada pela tradição. Ao mesmo tempo que dignifica a “vontade humana como elemento determinante da sociedade e das suas formas”, o horizonte neotomista conserva, então, uma concepção medieval de kosmos. Com a ideia do rei como centro de um espaço público fundado numa sociedade integrada ao cosmos divino, ele institui uma reserva de “ordem objetiva” – com sentido “civilizacional” e “messiânico” – que, ao impedir a total subjetivação do poder operada pelo maquiavelismo e pelo contratualismo, protagonizou uma consciência ao mesmo tempo ocidental e ibérica.
À medida que a autonomia e as fraturas avançam, a Ibéria se depara com o caráter artificial do seu poder. Após se afirmar contra os artifícios contratualistas, o século XVII gera uma enorme crise através da fratura entre imanente e transcendente, que leva a Ibéria a uma arte política capaz de artificializar sua própria tradição como meio de fazê-la perseverar: o Barroco. Os capítulos VII e VIII mostram a emergência e transformação do barroco como uma gnose que abandona o racionalismo neotomista a fim de fazer o velho viver como novo. Sendo uma negociação realista com as dualidades e contradições, trata-se de um “vasto programa de incorporação das ‘massas’” por meio de uma “artificialização” das subjetividades, que faz uso de meios simbólicos, erótico-corporais, teatrais e retóricos. Esse barroco foi um modo de vida construído na Ibéria de cima para baixo por ação do rei que, possuindo mais espaço de ação em relação ao divino do que em outras monarquias europeias, visou ocupar e controlar os vazios de uma sociedade em crise, à beira da anarquia. Com uma tensa combinação entre voluntarismo e fatalismo, artificialidade e naturalismo, essa política “incorpora e atropela Maquiavel”. Trata-se de uma experiência de alma e espírito anti-revolucionários, porque fundada num transformacionismo que reitera as diferenças sem unificá-las num Uno. Mas, pela mesma razão, ele esvazia o fundamento metafísico da tradição, propiciando uma subjetivação das experiências vividas que é muito diferente do self solipsista da outra modernidade, porque relacionais, abertas e naturalmente “artificiosas”.
Somos barrocos. E temos muito a ganhar ao assumi-lo como fonte de potência. Ainda mais porque construímos um barroco diferente entre nós. Se Tradição e artifício é finalizado com pouco desenvolvimento sobre a nossa América, a expectativa por mais é atendida agora em Sinfonia barroca: o Brasil que o povo inventou. Depois do “barroco de Estado”, erigido de cima a baixo, trata-se da história de um barroco popular, de baixo para cima. Livros que se complementam, que nutrem via perspectivas antagônicas. Há algo mais barroco do que isso?
Notas
1 Passando por uma crise institucional, o IUPERJ-UCAM começaria a se transformar, no final de 2010, no atual Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ).
2 É preciso ressaltar que a crítica é ao Sérgio Buarque de Raízes do Brasil, e não ao conjunto da obra. Esse último repensa seu “americanismo” de Raízes do Brasil e desenvolve, por exemplo, em Monções e Visões do paraíso, uma historiografia em relação à qual Rubem está bem próximo.
3 A respeito disso, fica o convite ao leitor de dialogar este livro com a obra de Freyre, em especial com o luminoso capítulo III de Casa Grande & Senzala.
4 Em breve publicaremos pelo Ateliê de Humanidades Editorial tanto o livro Essais sur le politique, de Claude Lefort (onde está o ensaio ao qual me refiro), quanto a obra de Marcel Gauchet.

ANDRÉ MAGNELLI é idealizador, realizador e diretor da instituição de livre estudo, pesquisa, escrita e formação Ateliê de Humanidades (ateliedehumanidades.com).
Sociólogo, professor, pesquisador, editor, tradutor, mediador cultural e empreendedor civil/público. É editor do Ateliê de Humanidades Editorial e do podcast República de Ideias. É editor da tribuna Fios do Tempo: análises do presente. É curador do Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais, co-organizado com o Consulado da França no Rio de Janeiro. Pesquisa na interface de teoria social, tecnociências & sociedade, sociologia histórica do político, teoria antropológica, ética, filosofia política e retórica.
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Catálogo do Ateliê de Humanidades Editorial

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