Na mesa temos Bia Martins, Paulo Henrique Martins e Lucas Faial Soneghet. Nesse episódio conversamos sobre a influência dos algoritmos na sociedade.
Numa definição mais simples, um algoritmo é uma sequência de instruções matemáticas usadas para resolver um problema ou performar um cálculo computacional. O que os torna complexos é a possibilidade de processamento de uma grande quantidade de dados. Ao submeter enormes volumes de dados a um processo pré-determinado de sequenciamento, é possível, por exemplo, sugerir um filme em um serviço de streaming com base no comportamento pregresso do usuário. As informações passadas, quando processadas automaticamente, se tornam uma base possível para prever estados de coisa futuros. Por outro lado, algoritmos podem ser usados simplesmente como substitutos para tarefas não complexas outrora realizadas por seres humanos, sem ter qualquer valor preditivo, ou como ferramentas para tarefas complexas que envolvem um grande volume de informação impossível de ser processado por pessoas.
Ao longo das últimas duas décadas, esses processos de cálculo e computação automatizados passarem a permear diversos aspectos da vida social. Dos serviços de streaming e aplicativos em nossos celulares até governos e multinacionais, o algoritmo tornou-se uma ferramenta poderosa. Podemos vê-los, por exemplo, no uso de dados para identificar tendências de mercado e na mensuração, vigilância e quantificação de populações no âmbito da “segurança”, onde algoritmos são usados para monitorar padrões de comportamento e imputar um potencial de “perigo” a lugares e pessoas. Aqui, algoritmos servem para apoiar técnicas preditivas que podem criar padrões em vez de prevê-los, ou reforçar padrões danosos já existentes. Ademais, parecem automatizar processos decisórios, retirando-os das mãos das pessoas em relação e terceirizando-os a uma máquina de otimização pela quantificação.
A informalização e fragmentação progressivas da esfera pública é em grande medida reforçada pelo efeito dos algoritmos no ecossistema da informação. Devido à natureza iterativa dos algoritmos, um indivíduo tende a receber mais do mesmo tipo de informação que acessa, levando a um ciclo vicioso de reforço de perspectivas, opiniões e visões de mundo, as chamadas “bolhas”. Uma técnica que, em teoria, favorece a personalização dos fluxos de dados e a usabilidade das tecnologias, também contribui para o acirramento das “comunas culturais” de entonação fundamentalista que Castells viu como produtos da sociedade da informação.
O peso dos algoritmos levou alguns como Fourcade e Aneesh Aneesh a se perguntarem: estaríamos vivendo em uma “sociedade dos algoritmos” ou numa “algocracia”? O diagnóstico ecoa em alguns aspectos a “sociedade de controle” conceituada por Deleuze na década de 1990. Na sociedade de controle, os diferentes modos de controle compõem um sistema de geometria variável composto de estados metaestáveis e coexistentes de uma mesma modulação. Em contraste com a sociedade disciplinar, baseada no confinamento, na individualização e na distribuição no espaço, a sociedade de controle é centrada nas cifras, isto é, em senhas que marcam o acesso ou rejeição à informação, e composta de indivíduos “dividuais”, fragmentados em volumes de dados e redes que estão sujeitos ao monitoramento contínuo de suas mais sutis ondulações.
Por um lado, a potência das soluções tecnológicas é inegável. Algoritmos e IAs podem ser usados no mapeamento de redes de transporte público, no tratamento de doenças e na facilitação de tarefas que exijam o processamento de enormes volumes de informação. Por outro lado, a automação de processos decisórios e o uso preditivo dessas tecnologias coloca dilemas importantes do ponto de vista de uma sociedade democrática e transparente. É preciso abrir o emaranhado das conexões humano-máquina que já compõem as atuais configurações socio-técnicas em que vivemos para que não sejam opacas ou aparentemente automáticas, mas suscetíveis a deliberações coletivas e bem orientadas.
No segundo bloco, exclusivo para sócio-apoiadores, conversamos sobre a visita de Fernando Haddad às big techs e data centers nos EUA e sobre seu plano de atração de investimentos dessas empresas.
Tópicos: Algoritmos; Tecnologia; Internet; Soberania Digital.
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