Publicamos hoje, no Pontos de Leitura, o posfácio do livro O pensar poético (Ateliê de Humanidades Editorial, 2025), de Gustavo de Faria Arruda, escrito por André Magnelli.
“O Pensar Poético é uma poesia de formação. Percorremos, aqui, o início da jornada de um jovem que encontrou na filosofia uma expressão de vida. Os tateios do autor em busca de liberdade se expressam num pensamento elaborado em linguagem poética. (…)
Toda obra poética traz consigo uma moldura do mundo, que pode despertar uma densificação da experiência e, até mesmo, gerar um rejúbilo com o que aí está. “Um pensar poético” é a expressão espontânea daquilo que emerge liricamente na mente; “O Pensar Poético” é o modo como o poeta elaborou seu pensamento movido pelas experiências de juventude, com seus recursos e relações, conflitos e potências. O pensamento liricamente mobilizado do poeta encontra a criatividade no jogo das palavras, chegando a momentos de experimentação metalinguística, mas se mantendo sempre no compromisso com a cadência sonora e a evocação simbólica. “O Pensar Poético” é, assim, uma aventura experimental que viaja pela liberdade sintática e a expressividade lírica. (…)”
Desejamos, como sempre, um excelente achado!
A. M.
Pontos de Leitura, 20 de março de 2025

O pensar poético – Gustavo de Faria Arruda
O Pensar Poético, primeiro livro do jovem poeta Gustavo de Faria Arruda.
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O Pensar Poético:
uma poesia de formação
O Pensar Poético é uma poesia de formação. Percorremos, aqui, o início da jornada de um jovem que encontrou na filosofia uma expressão de vida. Os tateios do autor em busca de liberdade se expressam num pensamento elaborado em linguagem poética.
A leitura nos propicia, ao mesmo tempo, interconexão vivida, reflexão filosófica e deleite estético. O eu lírico está em constante movimento no jogo da própria vida, no qual nada é exato, algo se perde e muito se aprende. Ele descobre, evolui, conquista, confia, eticiza, duvida, é traído, se perde, paralisa, indaga, critica, regride, destrói. Mas sempre faz a volta, re-emergindo numa persistência humana em existir. Os poemas formam batalhas em looping, que não deixam de ser, em igual medida, um processo de formação. Como Fênix, carboniza e ressurge; e, como um Sísifo, sonha com a feliz liberdade de uma não-repetição.
Toda obra poética traz consigo uma moldura do mundo, que pode despertar uma densificação da experiência e, até mesmo, gerar um rejúbilo com o que aí está. Um pensar poético é a expressão espontânea daquilo que emerge liricamente na mente; O Pensar Poético é o modo como o poeta elaborou seu pensamento movido pelas experiências de juventude, com seus recursos e relações, conflitos e potências. O pensamento liricamente mobilizado do poeta encontra a criatividade no jogo das palavras, chegando a momentos de experimentação metalinguística, mas se mantendo sempre no compromisso com a cadência sonora e a evocação simbólica. O Pensar Poético é, assim, uma aventura experimental que viaja pela liberdade sintática e a expressividade lírica.
Tendo sido um aprendiz de programador quando adolescente, vivendo imerso na lógica dos códigos e cálculos computacionais, Gustavo foi iniciado por um amigo à prática poética, que lhe abriu para o mundo da linguagem simbólica na costura do sensível, com sonoridade e polissemia. Desde então, sua verve lírica se desdobrou ao longo dos anos, escrevendo poemas conforme afloravam ideias, algumas vezes em minutos, outras num labor de meses. O livro foi concebido entre 2016 e 2017, reunindo poemas compostos dos 16 aos 20 anos, desde o ensino médio em 2013 até a primeira parte do curso de filosofia na UNICAMP em 2017. Todo o percurso retrata não apenas a transição da matemática e programação para a filosofia, como também as transformações pessoais e filosóficas, como a migração da filosofia da natureza para a filosofia política.
Após ficar na gaveta por algum tempo, ele vem à luz como expressão de um poeta adolescente na descoberta da vida e em luta por amadurecê-la de forma significativa. Os poemas de abertura e fechamento são quase que semelhantes, mas estão em ordem inversa. Começando com O nascer do sol (escrito em 2017) e finalizando com Fim de tarde (escrito em 2015), ele pode ser lido numa única jornada ou de modo ruminado, por meses a fio. Sua concepção se deu quando tais poemas foram vistos como aspas delimitando um sentido de conjunto; a partir de então, tornou-se possível organizar os demais de modo cronológico, em três partes, tendo cada uma delas um começo, um meio e um fim.
Nosso poeta lança desafios aos leitores e lhes propõe que joguem com ele. A inspiração está nas próprias obras filosóficas, que foram experimentadas primordialmente como enigmas para o aspirante. O poeta não quer afrontar o leitor, mas o convida a passear consigo tal como seus pensamentos joviais caminharam por Campinas. Não temos aqui um derramar de imaginação subjetivista, mas sim uma forma de elaborar, polissêmica e aberta, a ser apropriada de modo distinto por cada um. Os desafios lançados são compostos em jogos com a sintaxe, a metrificação, a declamação e as possibilidades hermenêuticas.
Multifacetado, o poeta sugere imaginar as personagens, as vivências e os autores que o inspiraram, da mesma forma que convida a uma adaptação dos versos às próprias vivências. Concebendo-se como caudatário do movimento modernista brasileiro, ele busca inspirar liberdade estética para um pensar poético ou uma poesia pensante. Tendo também algo de poesia concretista, ele faz um uso experimental do livro como materialidade na qual signos são inscritos, de modo que a disposição espacial da página, incluindo os espaços em branco, bem como a relação tanto interpáginas quanto do livro com o entorno, são constitutivas para o sentido e não-sentido do que está escrito. A esse respeito, a diagramação visual foi pensada como parte da poesia, cuja leitura demanda, às vezes, uma experimentação tridimensional. Da mesma forma, o livro é concebido musicalmente, tendo muitos poemas inspirados, de partida, pela melodia e pelo ritmo.
Entre a confiança e a perdição, a liberdade e a prisão, a ética e o niilismo, a jornada do poeta gera nos leitores sentimentos ambíguos e, não poucas vezes, ambivalentes. Com perguntas, dúvidas, argumentos e experiências, o eu lírico evolui, saindo de uma passividade contemplativa nos momentos iniciais para uma atividade destrutiva nos atos finais. Neste movimento, ele passou por elaborações poéticas de questões filosóficas sobre a razão, o amor, a liberdade, a política, em diálogo com pensadores como Aristóteles, Platão, Averróis, Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Kant. Com muita energia juvenil, tateia filosófica e poeticamente com outros (sujeitos, objetos, sentimentos, ideias), sabendo apenas, de partida, que uma poesia deve ter uma forma e uma filosofia tem que lidar com a experiência. Envereda-nos, por esse impulso, numa jornada filosófica experimental, o que inclui a terrível inversão do jogo significante, através da qual emerge, em suas últimas páginas, um alter ego engajado no absurdo da imoralidade pura.
Aqui, encontramos o retrato de uma época, filtrada pelo olhar do poeta e transposta em escritos, compartilhados tempos depois com o público. Para além da proposta de arraso e de ensejo à releitura apresentada no fechamento, Gustavo seguiu produzindo e permanece construindo textos a partir de um aprendizado filosófico pleno de espantos, que é, a um só golpe, um aprender a viver em meio a incertezas. Enfim, não se preocupe, caro leitor, afinal, nosso autor, fiel à caneta, já preparou outras produções ao longo do seu percurso, que logo estarão disponíveis para serem somadas aos elementos d’O Pensar Poético.

ANDRÉ MAGNELLI é idealizador, realizador e diretor da instituição de livre estudo, pesquisa, escrita e formação Ateliê de Humanidades (ateliedehumanidades.com).
Sociólogo, professor, pesquisador, editor, tradutor, mediador cultural e empreendedor civil/público. É editor do Ateliê de Humanidades Editorial e do podcast República de Ideias. É editor da tribuna Fios do Tempo: análises do presente. É curador do Ciclo de Humanidades: ideias e debates em filosofia e ciências sociais, co-organizado com o Consulado da França no Rio de Janeiro. Pesquisa na interface de teoria social, tecnociências & sociedade, sociologia histórica do político, teoria antropológica, ética, filosofia política e retórica.
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Catálogo do Ateliê de Humanidades Editorial

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