Convite para uma rede colaborativa físico-digital – por Paulo Henrique Martins, André Magnelli e Lucas Soneghet

Lançamos hoje o site paulohenriquemartins.com, que foi produzido com o apoio técnico e logístico do Ateliê de Humanidades. A iniciativa tem o objetivo de organizar e difundir as atividades intelectuais de Paulo Henrique Martins em interação com a rede de pesquisadores e o público mais amplo. 

O site é composto por um acervo digital (com artigos, livros, entrevistas, matérias de jornal, vídeos etc.) e por uma área de notícias. Além disso, ele é um meio de veiculação de atividades públicas (na forma de artigos, vídeos, podcasts etc.) do pesquisador por meio de parceria com o Ateliê de Humanidades. Ele possui igualmente um pequeno “Ateliê virtual” que possibilita um canal de comunicação permanente com o público.

Tendo em vista mostrar a visão e os valores que motivam nossa iniciativa, fizemos um pequeno texto de “Convite para uma rede colaborativa físico-digital“, que mostra como que nossa proposta é mobilizada pela percepção de que existe uma reconfiguração do lugar dos intelectuais no espaço público.

24 de setembro de 2021

Paulo Henrique Martins
André Magnelli
Lucas Faial Soneghet



Convite para uma rede colaborativa físico-digital

Recife, Rio de Janeiro e Michigan (EUA)
14 de setembro de 2021

Osite paulohenriquemartins.com foi produzido com o apoio técnico e logístico do Ateliê de Humanidades. Ele tem o objetivo de organizar e difundir as atividades intelectuais de Paulo Henrique Martins em interação com a rede de pesquisadores e o público mais amplo. 

A ideia do site site foi maturada e tomou forma progressivamente quando nos convencemos da existência de uma reconfiguração do lugar dos intelectuais no espaço público neste contexto de mutações das sociedades contemporâneas. Diante de uma sociedade mediada pelas mídias digitais, com novas configurações do espaço-tempo, torna-se fundamental que pesquisadores, professores e intelectuais com atuação nacional e internacional renovem sua forma de dialogar, se posicionar e publicar seus trabalhos e ideias. Esta é uma exigência para que as trajetórias acadêmicas e a vida universitária se conectem cooperativamente com a sociedade e o público mais amplo. Neste contexto, obras acadêmicas acumuladas através de muito trabalho individual e coletivo correm risco de serem invisibilizadas por causa de sua falta de inserção no mundo digital. Por sua vez, a solução para este problema não nos parece consistir em desfigurar o trabalho intelectual por meio da emulação da lógica utilitarista predominante nas redes sociais, que fazem pressão para que cada qual se torne um empreendedor de si mesmo em concorrência com os demais.

Temos que renovar nossos meios de acesso aos públicos interessados em nossas pesquisas individuais e coletivas, fomentando uma interlocução acadêmica e mantendo a atualidade e relevância das produções científicas. A vida universitária está entrando em novo estágio de produção e difusão do conhecimento a partir do desenvolvimento de uma inteligência coletiva físico-digital, que se radicaliza com as novas inteligências artificiais. São construídas, crescentemente, novas ferramentas digitais e virtuais de divulgação do conhecimento e de constituição de redes colaborativas, ampliando-se as perspectivas da atividade  intelectual no plano local, nacional, internacional e transnacional. A pandemia acelerou ainda mais este processo de digitalização com o enfraquecimento dos recursos tradicionais que usamos na academia, como a interação em espaços físicos e o acesso a livros e revistas espacialmente localizados. No cenário de pós-pandemia, algumas coisas tendem a voltar ao que era antes, mas nos parece um fato que uma nova época está sendo demarcada, onde se faz uma inédita composição da vida acadêmica tradicional com os potenciais do mundo digital.

Com as mídias digitais e as possibilidades múltiplas de armazenamento, divulgação, comunicação e interação providas pelas tecnologias de informação e comunicação, torna-se urgente e plausível a preservação de nossos legados e a geração de novos meios de diálogo, que façam uso do lado positivo da internet e das redes sociais sem recair nas suas tendências à performance utilitarista, ao ego trip e à fragmentação narcisista. Por isso, é importante que pesquisadores e professores organizem, de modo ativo, coletivo e cooperativo, a divulgação de suas memórias e de suas atividades acadêmicas em curso. Portanto, a construção deste site deve ser entendida como um experimento piloto impulsionado por um esforço realista em quatro sentidos.

1. Trata-se de um registro das memórias do percurso intelectual de um acadêmico que é testemunha do processo de profissionalização das ciências sociais brasileiras e latino-americanas nos últimos 40 anos. O objetivo é de tornar perceptível o sentido de conjunto de uma obra e experiência, propiciando tanto o diálogo interpares quanto também uma referência para as novas gerações. Assim, de um lado, constitui-se aqui um esforço de evitar a tendência à fragmentação da vida acadêmica, decorrente de sua dispersão em atividades universitárias e publicações de artigos, e, de outro lado, faz-se uma tentativa de construir um espaço digital de visibilização de uma produção intelectual que visa ter um interesse público. Este projeto reforça o trabalho que o autor vem realizando desde pelo menos 2011 quando fundou, com alguns colegas, a revista REALIS (Revista de Estudos AntiUtilitaristas e Pós-Coloniais).

2. Trata-se de construir uma plataforma de diálogo acadêmico e público, feito em conexão com as redes de pesquisadores nacionais e internacionais. A construção deste site e a sua operação pelo Ateliê de Humanidades é uma forma de evitar a fragmentação, pois ele incentiva, aqui, a formação de uma colaboração através do Ateliê. Assim, pensamos o Ateliê de Humanidades como um realizador da conexão entre o site (e todos os outros que vierem) com um espaço ético, cooperativo e eficaz sob o zelo desta instituição em rede que é o Ateliê. Deste modo, estamos diante de uma iniciativa de inovação, que visa fazer avançar o Ateliê de Humanidades como um operador e mediador em redes físico-digitais, oferecendo assim um serviço ao mesmo tempo privado e público, mobilizando suas muitas frentes de atividade (tais como o Fios do Tempo, o República de Ideias, o Pontos de Leitura, o Ateliê de Humanidades Editorial, os eventos nacionais e internacionais etc.) em prol da regeneração de nossa comunidade acadêmica, que está muito dilacerada e vulnerável pelos ares e humores do tempo.

3. O site é um convite para a participação dos colegas e amigos que compartilham de nossas preocupações com os rumos da vida universitária. Preocupa-nos, sobretudo, o destino público dos pesquisadores sêniores, que se viram, já no meio de suas carreiras, desafiados pelo deslocamento do circuito de debates acadêmicos e públicos para fora de suas rotinas habituais (como a escrita de artigos científicos e livros, a participação em grandes congressos, as lições em salas e auditórios físicos, etc.), o que gerou uma ágora digital da qual muitos deles desconhecem como bem ingressar e participar. Mas ele também visa o fortalecimento de um espírito cooperativo e público entre os jovens pesquisadores, que são mais versados nas tecnologias digitais, mas que, por falta de espaços institucionais desburocratizados e efetivamente cooperativos, se veem muitas vezes forçados a um adoecedor “salve-se quem puder” acadêmico.

4. Em último lugar, vemos esta iniciativa como a constituição de uma institucionalidade físico-virtual de cooperação acadêmica que zela por memórias vivas relevantes para nosso tempo histórico; e, por isso, acreditamos que ele tem um papel crítico, pragmático e hermenêutico fundamental e urgente para que nossa vida democrática possa ser, ao mesmo tempo, viva, forte e delicada.

Seja bem vindo ao site! Seja bem vindo à nossa rede colaborativa!

Paulo Henrique Martins
André Magnelli
Lucas Faial Soneghet

Leia este artigo e outros de Paulo Henrique Martins
no site https://paulohenriquemartins.com/


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