Fios do Tempo. Por que uma Teologia Negra? – por Wellington Freitas

Nas vésperas de Natal deste assombroso ano de 2020, estamos chegando nas comemorações cristãs do nascimento de Jesus. Este é um momento propício para refletirmos sobre as questões propostas por Wellington Freitas: por que uma Teologia Negra? Qual sua origem e a que ela se propõe? Qual a fecundidade de representarmos um Jesus negro para todos? Em que ela pode nos enriquecer de experiência ética, política e espiritual? Por que a proposta de um Jesus Negro é vista, por muitos, como inaceitável?

Esse é um texto que possibilita conhecer, sem preconceitos prévios, o que é a Teologia Negra, defesa que é feita dentro do mais profundo espírito cristão.

Desejamos uma excelente leitura!

A. M.
Fios do Tempo, 15 de dezembro de 2020



Por que uma Teologia Negra?

Quando estudamos teologia, um dos aprendizados basilares é a importância de fazermos um distanciamento da Bíblia em relação à linguagem com a qual estamos acostumados. Aprendemos a aplicar os conceitos bíblicos no seu contexto espaço-temporal e a distinguir o modelo narrativo das literaturas que compõe. Analisamos também, quando possível, a compreensão psicológica do autor – o seu ethos – mediante a organização sociocultural por ele vivida (isto é, pelo escritor). Outra coisa importante, buscamos realizar uma leitura imparcial da Bíblia, coisa que, com toda sinceridade, é uma raridade acontecer, porque sempre damos aquela “puxada de brasa pra nossa sardinha”.

Assim, ao navegar pelo campo teológico, notamos a presença do platonismo aportando em grandes nomes do século II ao IV. Além disso, ler o apóstolo Paulo indicia ora o uso do judaísmo, outrora do helenismo e, por vezes, a figura ou caracterização das leis romanas. Quando olhamos para a reforma, vemos que Lutero, Calvino e Ulrico Zuínglio tiveram influência nominalista – o “termismo” – de Guilherme de Ockham (1285-1347). Por sua vez, a conquista do Novo Mundo e a dominação afro-asiática, com a neocolonização, trouxeram, no seu bojo, a própria interpretação das Escrituras. Mesmo com todas as suas variáveis e ortodoxias, todas elas ocorreram dentro de um horizonte comum, pois não encontramos muitos cristãos que hesitem diante da imagem do Jesus embranquecido. Por sua vez, quando o Evangelho é interpretado pelo ângulo de um Jesus negro ou dos negros, isso incomoda muita gente e gera bastante polêmica.

Essa insatisfação não se dá porque rompemos com a moldura sociorreligiosa, pois é possível revisar e adaptar as religiões sem muitos problemas – o que explica a existência dos inúmeros cristianismos. O problema está quando colocamos a tinta preta sobre a pintura do teologizar, quando intervimos no quadro, que era antes somente eurocêntrico, para mudar não apenas a moldura, mas toda a paisagem com sua composição de forma e fundo. Há aí um rompimento tectônico, que causa abalos visíveis em sociedades delimitadas pelo julgamento da superioridade da cor branca.

A história contada pelo oprimido, que denuncia o pecado racial, que não está desvencilhado dos aspectos econômico-políticos, é um dilaceramento da antropologia de um tempo segregacionista. Ela mexe com o intelecto e as emoções construídas sob a égide teológica da colonização – do embranquecer – sem espaço para o negro.

Na segunda metade do século XX, a formação social do Brasil e na América Latina levou aqueles que estavam engajados num evangelho social para a Teologia da Libertação (no catolicismo) e para a Teologia da Missão Integral (no protestantismo). Enquanto isto, as comunidades evangélicas negras estadunidenses articulavam a Teologia Negra, cujo discurso enfatizava a libertação dos oprimidos e excluídos e em busca da igualdade. Na década de 1960, os negros dos Estados Unidos e da África presentificavam a desigualdade da sociedade capitalista de segregação nos setores socioeducativos, financeiro e cultural. Existiam igrejas para branco e igrejas para negro separadas umas das outras – daí havendo um racismo simbólico e bem concreto.

A desumanização é inversamente proporcional aos cuidados da criação e do Evangelho como um todo, que pregam o zelo e amor do outro no sentido integral. Os negros nascidos na sociedade americana e os que sofriam, com a neocolonização, o apartheid na África do Sul insurgiam com a teologia da libertação voltada aos negros, que sofriam como quaisquer outros povos do Terceiro Mundo. Segundo a teóloga Regina Fernandes Sanches:

O empobrecimento é algo mais abrangente de danos do que a ausência de recursos materiais, falta de acesso à educação e a sistema de saúde. Ele desumaniza àquele que foi criado humano, ao impedi-lo de transformar o mundo e ser transformado por ele. Ao tirar dele o bem mais precioso que lhe foi concedido, a liberdade de viver. Da mesma forma, a ambição daqueles que dominam e empobrecem excede as riquezas, e se demonstra ser um desejo de poder sobre o outro, sempre em função do bem-estar particular, movido pelo mais autêntico egoísmo (…) O egoísmo humano, movido pela lei do menor esforço em relação ao amor, que domina, escraviza e mata os seus.
(Sanches, p. 24-26)

Desacorrentar os negros, mas negando ainda a liberdade dos direitos humanos, ocorre porque se sabe a possibilidade de agrilhoar a mente dos despossuídos pela via dos jogos institucionais. Assim há opressão econômico-político na qual o negro é excluído de uma economia rica dos EUA e é imperativa a discriminação no setor educativo, sociorreligioso e judicial. Deram o direito religioso ao negro de ter o próprio templo, porém não o de pensar – assim tirando a sua dignidade e humanidade de ter teologias elaboradas pela comunidade de pertença. Negaram-lhes o direito de ler e interpretar a Bíblia semelhante ao branco, com acertos e erros. Mas a Teologia Negra sequer almejava a desigualdade ou dar o troco. O grupo identitário negro não participou do labor dos mecanismos da formação social-institucionais, por serem considerados seres inferiores. A experiência do negro advém da discriminação na qual se ancorava em teologia e pastores segregacionistas, e inclusive uma das temáticas da Teologia Negra é justamente o sofrimento movido por raça em nome de um deus. Sanches diz que essa teologia surge de luta e do engajamento reflexivo dos norte-americanos ou sul-africanos, os primeiros viviam excluídos de uma economia rica e o outro sob os efeitos da colonização (ibid., p. 26).

A origem da Teologia Negra

O nascedouro da Teologia da Libertação Negra, norte-americana, começa a fluir na década de 1960 com o movimento pacífico liderado por Martin Luther King. Em paralelo existia uma ala mais radical: Black Power. Muitos textos foram escritos. Teólogos divergiam-se, alguns tendo, no aspecto cívico-político, uma posição mais violenta, enquanto havia aqueles advogando na missão pacífica de Luther King. Pesquisadores enfatizam que a Teologia Negra é uma variação da Teologia da Libertação, mesmo que os estudos teológicos negros – mais antigos – já tinham sido compostos antes de conhecê-la. Na teologia o que prevalece é a equidade e igualdade sem o revide. Na relação com o outro, busca a valorização que existe no nós e que há neles (se for o amor, aquele de um Deus não-excludente) e vice-versa. Só que agora, isso ocorre com a alternativa da apresentação de um Jesus negro.

A Teologia Negra bebe das ciências sociais e das relações étnico-raciais – é uma ótica sobre a Bíblia a partir do negro, e isto nada lesiona a fé se considerarmos que os grandes teólogos do passado recorreram à “filosofia pagã” , que era o que eles tinham em mãos para visualizar as Escrituras e dar resposta ao mundo.

Deste modo, a Teologia – negra – é a busca por Justiça Divina pela experiência de injustiça e de frustração ao longo da história e do tempo presente. É só quando se mobiliza que se torna possível sair da inércia, e a teologia de origem europeia era tida por abstrata demais e, assim, não alcançava a práxis necessária para uma teologia libertadora das ações exploratórias de sociedade construída por um autocentramento egoísta (logo não cristão) de cristãos brancos, que desumanizavam o povo negro.

A teologia da comunidade negra valoriza o Jesus pré-cruz, que é aquele humilde, oprimido e humilhado. Portanto, o Jesus dessas igrejas está ao lado do povo e vivencia seus sofrimentos conduzindo-o para libertação. Um dos referenciais dessa teologia é o alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), pastor bastante conhecido pelo pensamento criativo e crítico, que resistiu ao nazismo – envolveu-se numa conspiração para matar o Führer – e que, depois de preso, foi morto a mando de Hitler com apenas 39 anos.

Mas quem realmente sistematiza a Teologia Negra é o teólogo Dr. James Cone (1938–2018). Ele é considerado o fundador da Teologia da Libertação Negra, e as duas obras mais conhecidas são Black Theology & Black Power (1969) e A Black Theology of Liberation (1970). Cone levará o racial para o fator identitário numa perspectiva da opressão histórica da sociedade estadunidense, fornecendo daí um conteúdo sólido para a teologia, pela qual não se refere somente à tônica da pele (a cor preta no social), mas também a uma nova cosmovisão exegético-hermenêutica sobre a questão bíblico-teológica. M. James Sawyer informa que é uma leitura negra das Escrituras dando a Jesus um ouvido negro de libertador do povo negro (p. 505-506). Roger Olson explica que James Cone é para “os críticos é uma voz perigosamente radical e sectária da teologia cristã contemporânea, enquanto que seus partidários o consideram um profeta semelhante a Amós no Antigo Testamento” (p. 622). A teologia embranquecedora desumanizava e a teologia da libertação negra veio trazer alívio à experiência de opressão a partir de um Jesus que sente a mesma dor.

Jesus negro?

A comunidade negra encontrou nos ensinos de Jesus, no próprio Filho de Deus, a mensagem de libertação antes privada por brancos que trouxeram um discurso bíblico-teológico opressor. Semelhante aos excluídos da riqueza, e que sofre discriminação e humilhação, Jesus, assim como os negros, passou pelas mesmas torturas psicológicas e concretas. Ele é negro não meramente por cor, carrega em si a vivência negra da opressão e a exclusão durante sua existência histórica. O Jesus era de Nazaré – vilarejo pequeno, periferia miscigenada e discriminada – onde as pessoas diziam: será que “pode vir alguma coisa boa de lá?” (João 1.46).

A luta por direitos humanos, o antirracismo e a igualdade com equidade constituem uma boa Teologia Negra, mas sem a preocupação em pegar de empréstimo a teoria social dos séculos passados como fonte determinista para a normatização da sociedade hodierna. A respeito disso, é de suma importância não impor a tese de partidos políticos no labor teológico. Isso não invalida a militância partidária de ninguém, pois o ativismo social é necessário. Com certeza, Teologia Negra não combina com um conservadorismo-extremado, pois ela nasce em busca da liberdade. Mas não podemos só querer lutar por ação afirmativa a partir do tinteiro. Se a ideia é divulgar o Jesus não engessado, não deve haver uma lógica de regrismo que exija a participação em partidarismos.

A sociedade brasileira dá a entender que a lógica secular é o sal e as lâmpadas para as igrejas de cunho católico e evangélico. Porque, nas suas gestões, em relação às lideranças oficiais, só a minoria é negra. Quando ela existe e tem um espaço de poder, é normal que já esteja esterilizada por um fideísmo colonial no modo de percepção teológica. Da mesma forma que a educação ofertada pelo nosso país, que seleciona, desde cedo, quem serão os gestores e subalternos, as denominações religiosas – principalmente as históricas – cometem um racismo velado ao expor ideias padronizadas e ao afirmar que o conceito de raça não existe. Faltam-lhe uma visão da filosofia e da socioantropologia. Fora da zona de conforto do discurso religioso, eles perceberão que, se, de fato, a noção de raça é equivocada para designar os humanos do ponto de vista da genética, por outro lado, no campo social o esquema da raça é operado tanto literal quanto metaforicamente. Isso ocorre por razões histórico-filosóficas do passado, que tomaram de empréstimo um darwinismo para construir um estudo da evolução das sociedades humanas, desenvolvendo a ideia de que existe uma hierarquia de humanos baseada na diferença de raças. Há pouco tempo, o uso desse biologismo social foi feito para inferiorizar o outro na área cultural, intelectual e, ainda, para subordiná-lo àquele que é tido por superior, dando-lhe razões de ordem “natural” ou “divina”. Estes estigmas, que são ressignificados o tempo todo em nosso cotidiano, são a razão pela qual é necessário falar de relações raciais. Por isso, as igrejas pecam quando dizem que não existe racismo porque não há raça. Ou seja, falta uma discussão de Relações Étnico-raciais e de Teologia Negra nos seminários e diálogos nas Igrejas.

A Teologia Negra sacode as poeiras do carpete e dignifica não só os negros, mas todos aqueles que, dentro da comunidade religiosa, sentem a opressão e a exclusão dos séculos. É de boa escuta e zela pelo bem; não deseja o mal do branco – quer a igualdade conforme é dito nos Evangelhos: “Ame seu próximo como a si mesmo” (Marcos 12.31).  Ela denuncia o pecado escondido, no tempo, sob as escamas de uma teologia justa, porque a falsa justiça de uma tradição teológica centrada no europeu branco estigmatiza outras pertenças étnico-raciais. A teologia racializadora foi tão pregada em púlpitos das igrejas e tão ensinada em Faculdades Teológicas, que se tornaram grades fundidas na própria carne do rebanho. Portanto, romper estas grades que se põem sobre os cristãos e retirar as marcas postas nos negros por aqueles que se diziam portadores da vontade divina é uma forma de libertação da alma cristã que é sentida, em todos, como uma ferida no corpo.

Construir uma Teologia Negra para todos

Pensar em Teologia Negra é remeter à sua construção na sociedade e na história, feita a partir dos direitos humanos e de uma intelectualidade originada no ethos negro, daqueles indivíduos e povos que sentiram no corpo o peso do sofrimento e da subalternidade, até chegar, é óbvio, em uma práxis realizada nos variáveis campos da sociedade para a libertação daqueles que foram colonizados ou que são excluídos da economia, da educação, da cultura – e é sim, também, lutar pelo espaço da mulher negra. A Teologia Negra não é uma briga com o branco, mas sim a revelação de um Jesus que, semelhante aos negros, sofreu por ser pobre e por pertencer à região da Galileia – local de gente miscigenada e indício de sincretismo. Nessa região, ele morava num minúsculo vilarejo de Nazaré (como se fosse hoje as nossas periferias – de pouca importância para as políticas públicas e que são discriminadas).

Portanto, a Teologia Negra é uma teologia que luta para romper antropologicamente com o nós e eles e que dá voz àquele que foi silenciado por interpretações da Escritura cuja teologia apoiava armas de fogo, maus tratos e grilhões. Tendo instrumentos de tortura numa mão e a Bíblia na outra, evangelizou-se negros a conquista do Novo Mundo e a dominação afro-asiática. Assim, a história do apartheid revela a sinceridade da neocolonização: foi a dominação capitalista e europeia sobre a vida e a geografia do outro, junto às missões apostólicas de evangelização.

Não existe justificativa possível para o pecado de uma dominação egoísta em nome de um suposto deus, para a segregação, o racismo e a exclusão. Deve-se apenas exigir o pedido de perdão e o ato de reparação – e a recusa absoluta de voltar a cometê-los. Nenhum discurso apelativo pode minimizar ou esconder erros, como aquele que diz que “a intenção inicial da missão religiosa era sincera”. Isso nunca ocorreu porque, na época, a colonização foi um acordado governamental junto às companhias de comércio, de exploração, extração e troca, usando a fé como parceira para engessar um povo culturalmente diferente enquadrando-o em uma submissão cultural.

Uma das maiores armas existentes é a língua, que tenta minimizar os equívocos do passado, não confessando pecados para manter a imagem de santidade encouraçada dos cristãos; daí, silenciosamente, as doses de racismo continuam permeando a igreja e justificando a discriminação social, pois o crente é um cidadão comum e reverbera sua subjetividade no comportamento diário. A omissão – o silêncio – é uma comunicação não-verbal que representa quase sempre uma indiferença ou um apoio à conservação duma sociedade que faz separação pela cor, não como antes, porém de modo ressignificado para as condições atuais. É por causa disso que a Teologia Negra entra em atividade, frustrando e combatendo os resquícios psicossociais racistas, pautando-se para tanto na Bíblia, com sua mensagem de justiça com equidade, de amor e de cuidado com todos, sobretudo com os mais frágeis e oprimidos.

Referências

Faculty Union – https://utsnyc.edu/faculty/james-h-cone/

OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Editora Vida, 2001.

SANCHES, Regina Fernandes. Teologia da Missão Integral. São Paulo: Reflexão, 2009.

SAWYER, M. James. Uma Introdução a Teologia. São Paulo: Editora Vida, 2009.


Wellington Freitas é livre-pesquisador do Ateliê de Humanidades e pastor evangélico, especialista em Ciências da Religião. É Também fundador do projeto ESTECI – Escola Cristã de Teologia e Ciências da Religião.

Um comentário em “Fios do Tempo. Por que uma Teologia Negra? – por Wellington Freitas

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  1. Es un artículo que nos induce a pensar sobre la exclusión a la raza negra en todos los ordenes de la existencia humana, pero que nos coloca de frente con la más aberrante de las exclusiones que es aquella que tiene que ver con la vida espiritual. La raza negra humillada y vencida durante siglos y que hoy aún sigue siendo sujeto sufriente de desigualdad social e inequidad, demostrada universalmente en el modo de vida que llevan los descendientes afroamericanos en casi todos los países del mundo, sigue siendo objeto de exclusión social y religiosa.
    Desafortunadamente la religión en muchos contextos ha sido un aparato ideológico de estado que ha favorecido intereses de dominación y que ha callado siglos de dolor e ignominia hacia la raza negra.
    Supongo que el color de la piel de Jesús no debería ser motivo que coadyuve en la distinción de razas. El Jesús, cualquiera fuese su raza debería mantener su discurso esencial cual es el amor, la justicia y la equidad entre hermanos. Un discurso que aboga por el “Amaos los unos a los otros como yo os he amado” un discurso que predica igualdad de raza y género, que se predica pero no se aplica.
    A mi modo de ver el color es irrelevante si se tiene en cuenta el mensaje Cristico de Amor a la humanidad, de amor entre hermanos. La raza ha sido una categoría culturalmente aprendida. La raza debería ser un término secundario o no existente en la comunidad humana.
    El predominio blanco doblegó el concepto y con ello el bagaje sociocultural implícito en el color que dominó, avasalló y anuló la posibilidad de una historicidad cristiana equitativa e igualitaria.
    La raza negra tiene sus propios caminos. Tiene sus ideales religiosos surgidos de su propia naturaleza telúrica ancestral. Su propia cultura desarraigada en muchos contextos debería ir de vuelta allá. Hacia la búsqueda de sus propias raíces espirituales histórica y culturalmente establecidas. Debería, creo yo, separarse del concepto del Dios cristiano, pues Jeshua, somos todos.Jehua es el corazón de la humanidad clamando Amor y el Amor está en los espíritus que nutrieron nuestro ser ancestral. La humanidad toda mantiene en su acerbo genético el color negro de una u otra manera, si no en el color de su piel si en la cultura global que caracteriza el mundo hoy. Volver al terruño original, reencontrar las raíces africanas, repensar lo afro-ameticano, lo afro-mundo es ir por ese mapalé, por el tambor, por los arquetipos que consolidaron la sabia sociohistórica y cultural de la raza negra, olvidada pero presente en el imaginario colectivo como una sombra que nutre a la humanidad.
    Eso solo: ver el Jesús del Amor enraizado como hilo de seda en nuestra musica, en la danza, en el arte, en la ciencia. Jeshua es Amor y en las raíces ancestrales de la negritud habita el Amor y obvio, ahí está Jesús. No hay que vestirlo de negro, ya es negro, ha sido desde siempre.

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por Anders Noren

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