Max Weber, quem foi? (1864-1920)
Jurista de formação, economista por profissão, sociólogo por confissão, Max Weber é um clássico indiscutível em todas as áreas da humanidades. Nascido em Erfurt, em 1864, fez seus estudos superiores na área do direito em Heidelberg (1882-1883), Berlim (1884-1886) e Göttingen (1884-1886), instituição na qual recebeu os títulos de doutorado (1896) e a habilitação para o ensino (1897). Exerceu a carreira de professor catedrático nas Universidades de Berlim (1893-1894), Freiburg (1894-1897) e Heidelberg (1897-1899) e era membro ativo da Associação para a política social.
Após uma crise psíquica que abalou sua carreira (entre 1897 e 1903) iniciou um período de ampliação de seus interesses acadêmicos abraçando áreas como o papel do ascetismo intramundano na gênese da ideia de dever profissional (A ética protestante e espírito do capitalismo, entre 1904/105) e extensos estudos sobre a epistemologia das ciências sociais (como A objetividade do conhecimento sócio-científico e político-social, de 1904). A partir de 1910, motivado pela tese da racionalização e do desencantamento do mundo, dedicou-se a dois projetos intelectuais: a redação de um tratado sistemático de sociologia (Economia e Sociedade, publicado postumamente) e vastos estudos comparativos sobre as religiões mundiais (Ensaios de sociologia da religião).
Em 1909 participou da comissão e foi fundador da Sociedade Alemã de Sociologia. Ao lado de sua vasta agenda de pesquisa, foi um dos intelectuais mais engajados na busca pelo processo de modernização e democratização do segundo Império alemão (1871-1929) e participou ativamente dos debates sobre a construção dos fundamentos da República de Weimar (veja-se a conferência Política como profissão, de 1919).
Voltou a assumir uma cátedra universitária em Viena (1918) e depois em Munique no ano de 1919, mas veio a falecer um ano depois, precisamente em 14 de Junho de 1920.
Os 5 autores e livros essenciais para entender Max Weber hoje
Wolfgang Schluchter
O professor emérito da Universidade de Heidelberg Wolfgang Schluchter é mundialmente reconhecido como o maior especialista na obra de Max Weber. Com este intérprete, os temas da racionalização e do desencantamento do mundo passaram a ser os eixos de compreensão da sociologia weberiana. No Brasil, além de Paradoxos da Modernidade: Cultura e conduta na teoria de Max Weber (Unesp, 2011), a coletânea intitulada O desencantamento do mundo: seis estudos sobre Max Weber (Editora da UFRJ, 2014) oferece uma excelente visualização da leitura deste especialista.



Stephen Kalberg
Nos Estados Unidos, os estudos de Stephen Kalberg se destacam pelo aprofundamento das análises comparativas que Weber fez das grandes civilizações do mundo antigo em Max Weber’s Comparative-Historical Sociology Today: Major Themes, Mode of Analysis, and Applications (2012). Em português, o escrito Max Weber: uma introdução (Rio de Janeiro: Zahar, 2010) também faz uma apresentação bastante competente das linhas mestras da obra de Weber.



Lawrence Scaff
Lawrence Scaff estudou cuidadosamente o roteiro da viagem que Weber realizou nos Estados Unidos em 1904 no livro Max Weber in America (2011). Ele articula a descrição da trajetória de Weber pelas terras do Novo Mundo com cuidadosas reflexões sobre os temas da imigração, capitalismo, ciência, romantismo, escravidão, ética protestante e a modernidade americana. Literatura e ciência em um só volume.


Hans Henrik Bruun
No que diz respeito à intrincada metodologia de Max Weber, um dos estudos mais atualizados encontra-se no livro de Hans Henrik Bruun, Science, Values, and Politics in Max Weber’s Methodology, re-publicado em 2007 em versão ampliada. De forma didática, mas sem perder a profundidade, ele revisa o debate em torno do modo como Weber se posicionou frente ao estatuto epistemológico das ciências culturais.


Gert Albert
Se você se interessa pela atualidade e tem motivação para acompanhar os esforços de reconstrução da sociologia weberiana frente aos desafios atuais, então terá que fazer um esforço para ler, em alemão, o livro de Gert Albert: Das Weber-Paradigma [O paradigma Weber], da Editora Mohr Siebeck. Ele reúne estudos de um encontro que ocorreu em 2003 na cidade de Heidelberg e lançou as bases de um programa de pesquisa weberiano. Mais do que a história, o que este livro pretende pretende é rediscutir os termos da teoria de Weber em moldes contemporâneos.


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