Pontos de leitura – O que pode a Arte? – por Sérgio Bello

Além do último episódio da entrevista com Sérgio Bello, publicamos também um pequeno texto poético (escrito e em áudio-leitura) feito pelo próprio artista, que responde à interpelação proposta por nós: o que pode a arte?

A questão foi feita no contexto do segundo encontro do Ciclo de Humanidades 2021 com o tema “O que pode a arte? Como a arte se relaciona com a vida”, que será realizado nesta quinta-feira, às 19h.


O que pode a Arte?

Arte pode e deve interpelar sobre a nossa comunidade de destino humano e ambiental.

O criador cria luz e sombra; onde existem luzes, existem sombras.

Crio paixões e interpelações : perguntas progressistas e respostas ativistas …

A Arte pode e deve ser universal.

E para ser universal, deve ser progressista, jamais negacionista !

Quando a mensagem é reacionária, torna-se partidária pois não é universal.

Léon Tolstoi dizia : “Pinta a tua aldeia e tu serás universal”.

A Arte pode e deve ser poética e engajada, desde que sua causa seja universal.

Assim exorcizo a dor : a minha, a nossa.

Transcendo o dolorido, transgrido o tenebroso. Acolho a luz e crio resiliência.

Embebi-me da língua francesa para conjugar os verbos Créer et Crier (Criar e Gritar)

E clamar pelas palavras Cris et Crises (Gritos e Crises).

A arte é criação de imagens mentais, de imagens visuais, de imagens verbais, de imagens picturais, de imagens musicais … tais ecos lógicos, tais gritos evidentes !

Os negacionistas constroem um passado que não passa tais como seus projetos do futuro.

Eu sempre quis interrogar o presente abrindo as portas do “devir” !

O presente, o mais urgente, é nossa Terra-Mãe : nosso Planeta diante da louca-andança.

É assim que as minhas concepções artísticas intitulam-se Gritos da Terra !

A Arte pode e deve uivar contra as sombras que atingem Pacha-Mama.

Iluminar o futuro das crianças terríveis, contra a ausência da luz no Inferno-Verde.

Permitir novos caminhos certeiros para todos os Raonís …

Senão, a Amazônia será um deserto e os “Terra-planas” irão cantar : “Índio quer apito e, se não quer, o pau vai comer”!

É pau Brasil ! “Quantos paus, quantas pedras, é o fim do caminho” …

O pau-brasil vai virar cinza ?

E o que pode a Arte em face disso ?

Sérgio BELLO. Paris, 20 de Maio de 2021.


Ce que peut l’Art

L’Art peut et doit interpeller sur notre communauté de destin humain et environnemental.

Le créateur crée lumière et ombre ; là où existent des lumières existent des ombres.

Je crée des passions et interpellations : questions progressistes et réponses activistes …

L’Art peut et doit être universel.

Et pour être universel, il doit être progressiste, jamais négationniste !

Si le message est réactionnaire, il est partidaire car il n’est pas universel.

Léon Tolstoï disait : « peint ton terroir et tu seras universel » !

Ainsi, j’exorcise la douleur : la mienne, la nôtre.

Je transcende le douloureux, je transgresse le ténébreux, j’accueil la lumière et je crée de la résilience.

Je me suis imbibé de la langue française pour conjuguer les verbes Créer et Crier et clamer les mots Cris et Crises.

L’Art est création d’images mentales, d’images visuelles, d’images verbales, d’images picturales, d’images musicales … tels des échos logiques, tels des cris évidents !

Les négationnistes font d’un passé qui ne passe pas, tels leurs projets du futur.

J’ai toujours voulu interroger le présent en ouvrant la porte du devenir !

Le présent le plus urgent est celui de notre Terre-Mère : notre Planète devant la folle-course.

C’est ainsi que mes conceptions artistiques s’intitulent Cris de la Terre !

L’Art peut et doit hurler contre les ombres qui atteignent Pacha-Mama.

Illuminer le futur des enfants terribles ; contre l’absence de lumières dans l’Enfer-Vert.

Permettre des nouveaux chemins certains pour tous les Raonís …

Sinon, l’Amazonie sera un désert et tous les « Terre-plaines » iront chanter : « Des indiens ne veulent que des sifflés et, s’ils ne veulent pas, nos bâtons seront là» !

Triste-Brésil ! Que des bois morts, que des pierres, c’est la fin du chemin !

Le bois de braise va virer en cendres ? Que peut l’Art face à cela ?

Sérgio BELLO.

Paris, 20 Mai 2021.

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