Defesa de tese de Lindoberg Campos (hoje, 26/08, às 14h)

O livre-pesquisador do Ateliê de Humanidades e doutorando na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Sebastião Lindoberg da S. Campos defende hoje a tese “Para quê (teo)poetas? Ensaios para uma metaforologia teoliterária“, onde faz um esforço de entrelaçamento entre filosofia e literatura para pensar as problemáticas teológicas a uma nova luz, dialogando com autores como Hans Blumenberg, Heidegger, Nietzsche, Voltaire e José Saramago.

A banca é constituída pelos professores:
Maria Clara Lucchetti Bingemer PUC-Rio)
Patrícia Gissoni de Santiago Lavelle (PUC-Rio)
René Armand Dentz Junior (UNIPAC/MARIANA)
Carlinda Fragale Pate Nunez (UERJ)
Alex Vicentim Villas Boas (UCP-LISBOA)

Convidamos o público para a banca, que se realizará no Aplicativo Zoom: entrar na reunião Zoom no link https://puc-rio.zoom.us/j/95361929250?pwd=eUlZcDJhMmFDd0RLTlRtUFV2N3lhZz09
ID da reunião: 953 6192 9250
Senha de acesso: 048668

E disponibilizamos em nosso site o resumo e o sumário da tese. Parabéns a todos os envolvidos, e que seja uma excelente passagem.


Resumo expandido

Frequentemente os termos “morte de Deus”, “fim da poética” e “dessacralização” são associados à ideia de Modernidade que constrói uma nova explicação do mundo e, a seu turno, porta ideia de superação de um tempo mítico.

Com efeito, a relação entre poética ficcional e secularização é ambígua e ambivalente. Se a secularização opera uma aparente marginalização do poético e do mito-teológico (por julgar sua capacidade de enunciação provisória), ela também pode ser concebida como um modo de apropriação de ambos na tentativa de sanear e superar suas deficiências enunciativas. O projeto cartesiano excluía a proviosionalidade da linguagem metafórica enquanto construtora de uma imagem de mundo para pôr em seu lugar a inequivocidade de uma linguagem instrumental. Se tal projeto de superação caminhou em direção à sua concretização, em que consistirá, contemporaneamente, a reflexão de Heidegger ao se apropriar da poesia de Hölderlin: “para quê poetas?”.

Sua conclusão requer uma indissolubilidade entre o poético e o teológico enquanto agentes não capturados pela razão técnico-científica. Pode a poética, enquanto linguagem metafórica, dizer algo sobre o humano ou sobre Deus? Ela possui ferramentas propícias para sustentação de uma imagem de mundo? Aqui, emerge a problemática da Teopoética, seja vista como apropriação ficcional do conceito de Deus, seja concebida como uma potência narrativa criadora do divino, como possibilidade de superar a hiperespecialização tão comum na Modernidade.

As tentativas de refletir sobre o humano e seu lugar no mundo, muitas vezes em um contexto já de suposta secularidade realizada, choca-se nos próprios limites da razão técnico-científica. Poderia o espaço do poético – e, com ele, do mito-teológico – superar uma normatividade? O que está em jogo ultrapassa uma mera virtualidade poética para se lançar numa efetividade política. A reflexão heideggeriana fornece novas perspectivas para uma valoração e entendimento substancial do papel heurístico desempenhado pelo universo da ficção.

Revigorando, ou restabelecendo, o senso de poiesis, as reflexões de Nietzsche e Heidegger parecem corroborar para definir o espaço que o poeta (ficcionalista) ocupa na sociedade, revertendo o estatuto ético platônico. Ao afirmar que o humano tem o desejo recôndito de fazer da literatura vida (numa espécie de apropriação do Dasein heideggeriano), o escritor José Saramago parece oferecer veredas para um entendimento da poesia não apenas como criadora de novos valores, mas como a própria forma de enunciar o humano como consciência de si e no conhecimento da alteridade.

“Poetas em tempos indigentes”, para além de indicar uma volta aos tempos míticos, fornecem o campo propício para a ruptura da dogmatização que “petrifica” o mito em términos categoriais e resgata, como afirma Hans Blumenberg, a sua “liberalidade metafórica”. Permitir a repovoação do mundo pelos deuses faz do poeta o legislador platônico por excelência que, rejeitando o estabelecimento de uma perspectiva totalitária, busca abarcar a existência humana numa profusão de possibilidades e amplia o horizonte do entendimento da poesia/ficção como instrumento heurístico, capaz de pensar soluções e romper com o estatuto da “realidade absoluta” do qual, inclusive, o conceito de Deus tornou-se refém.

Sumário da tese

1. Questões iniciais

2. Enunciando o mundo da vida
2.1 Teopoética: tentativas de enunciação
2.2. Mímesis e metáfora, expressões de mundo
2.3. Eixos da linguagem, entre o metafórico e o conceitual

3. Metáfora, “un visage du monde
3.1. Quando a poética exprime imagens do mundo
3.2 Mito e metáfora, uma relação genética

4. O cerceamento do poético, breve panorama
4.1 Platão: os poetas mentem
4.2. Patrística Ocidental: quando chorar por Dido é inútil

5. O simulacro efetivo da palavra
5.1. Narrar o mito, desdogmatização e renovação
5.2. Narrativas como processo de remitologização e de experiência humana 
5.3. Os Ditos e o poder dos simulacros

6. O poeta-revisor, ou “não suba o sapateiro acima da chinela”

7. Ensaios para uma metaforologia da existência, ou quando falam os teopoetas
7.1 Entre humanos e deuses, diálogos poéticos
7.2 Saramago, aproximações antropológicas da narrativa cristã
7.3 “E agora (teo)poeta, para onde?”

8. Apontamentos conclusivos

9. Referências bibliográficas


Sebastião Lindoberg de S. Campos é livre-pesquisador do Ateliê de Humanidades e doutorando em literatura (PUC-RJ). É membro fundador do Instituto de Pesquisa e Memória Sebastianista Serra do Rodeador-ISR.

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