Agenda de Cursos Livres do Ateliê em 2018

2018.2


Mutações da Democracia: duas ontologias francesas de nossa crise

Resumo

Quase todos nós consentimos que existe, hoje, uma crise das democracias por todo o mundo. Mas como interpretá-la? A começar pelo esclarecimento do que é a democracia. Propomos, neste curso, que a democracia seja pensada como sendo, ao mesmo tempo, uma experiência histórica, uma teoria política, uma prática social, um modo de vida e um acúmulo de aprendizados institucionais. Para que compreendamos as mutações contemporâneas, é fundamental uma reconstrução da história longa das democracias. Faremos isso a partir de uma exposição, ao mesmo tempo profunda e didática, introdutória e sistemática, das teses de dois dos principais pensadores franceses contemporâneos: o filósofo Marcel Gauchet e o historiador Pierre Rosanvallon. Reconstruindo a história das democracias por meio de um diálogo constante entre essas duas ontologias francesas de nossa crise – mostrando quais são seus afastamentos e suas aproximações -, buscaremos, em igual medida, pensar o que nos acontece atualmente, neste ano de 2018 pleno de eventos a serem refletidos no calor do tempo.

Local: Mediathèque da Maison de France

Data: a partir de julho de 2018

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(Re)pensando a Secularização: Religião em Tempos de Mutação

Resumo

As religiões têm sofrido grandes transformações. A depender da perspectiva, podemos vê-las em uma ressurreição vitoriosa, em uma perseverança incontornável ou em uma crise terminal. Não faltam querelas em torno delas: estaremos vivendo em um mundo desencantado, reencantado ou jamais desencantável? Independentemente das vertiginosas dúvidas sobre o que vivenciamos, uma coisa é certa: temos que (re)pensar a secularização.

Esse curso é o primeiro do Ateliê de Humanidades sobre as religiões na modernidade e na contemporaneidade, desenvolvido a partir das atividades do Plano de Convergência (Re)Pensando a Secularização. Investigando a relação entre Religião & Modernidade, o Ateliê tenta convergir duas vias de estudos que normalmente se desconhecem: a tese sociológica da secularização, de um lado, e a investigação do teológico-político, de outro. Neste primeiro curso, trazemos a primeira vertente, oriunda da sociologia da religião.

No Módulo I, introduzimos as teses sociológicas sobre o lugar e o destino das religiões nas sociedades modernas, desde as clássicas (Karl Marx, Alexis de Tocqueville, Émile Durkheim e Max Weber) até as principais desenvolvidas desde meados do século XX. No Módulo II, abordamos as problemáticas em torno das religiões em nossos tempos de mutação. Primeiramente (1), percorremos, em grandes traços, as mudanças nas religiões e na religiosidade no mundo e no Brasil. Em seguida (2), nós nos voltamos para a relação entre religião, mercado e mídia nas nossas sociedades de consumo e de capitalismo tardio. Por fim (3), mergulhamos sobre um complexo de problemas contemporâneos sobre Religião & Política. De um lado, tratamos das novas (e velhas) questões sobre o Estado Laico e a laicidade no mundo e no Brasil, refletindo sobre o lugar das religiões na esfera pública. De outro lado, buscamos interpretar as causas dos fenômenos atuais de intolerância, guerras santas, fundamentalismos e terrorismos.

O curso se encerra com a proposta de refletir coletivamente sobre uma questão urgente para todos: diante da escalada de intolerância e de fundamentalismos, qual deve ser o lugar das religiões e suas relações (entre si e com os não religiosos) dentro de uma democracia pluralista?

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A Máquina Selvagem: Clastres, Deleuze e o Político

Resumo

Pierre Clastres (1934-1977) é sem dúvidas um dos grandes nomes da tradição antropológica. Tal como seu antigo mestre, Claude Lévi-Strauss, sua obra fecunda os mais diversos campos de reflexão filosófica e de investigação em ciências humanas. De Gilles Deleuze e Félix Guattari a, dentre outros, Viveiros de Castro, Tânia Stolze Lima e Renato Sztutman, a filosofia contemporânea e a etnologia ameríndia portam em si as suas marcas. Caminhar por entre os rizomas deleuzianos ou pensar as metamorfoses do perspectivismo ameríndio demandam uma incontornável passagem pelo seu pensamento, que, apesar da precoce morte em 1977, permanece ainda vivo em sua intempestividade.

Defronte a interpelação de R. Sztutman, que se nos indaga se a obra de Clastres é ainda hoje “boa para pensar”, nosso curso tem o intuito de expô-la criativamente. Ele se divide em três módulos. Nos módulos I e II, reconstruiremos as teses clastrianas, presentes, em especial, nos escritos compilados em Sociedade contra o Estado (1974) e Arqueologia da Violência (1980); faremos isso tanto em uma perspectiva transversal – apresentando os conceitos e temas que estruturam seu pensamento -, quanto também longitudinal – ao tratar do desenvolvimento de suas ideias e investigações, teóricas e etnográficas, ao longo da vida. Exploraremos, em seguida, no terceiro e último módulo, as repercussões das ideias clastrianas na filosofia francesa contemporânea, a saber, na filosofia e história do político de Marcel Gauchet e na esquizoanálise de Deleuze e Guattari.

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A Revolução do Dom: Vias Teóricas de um paradigma

Resumo

O antropólogo francês Marcel Mauss publicou, em 1925, o hoje célebre Ensaio sobre o Dom, que é considerado por muitos, como Lévi-Strauss, um marco d’águas das ciências humanas e sociais. Não faltaram, desde então, iniciativas teóricas e práticas que desenvolveram as intuições nele presentes.

Diante da crise de nosso tempo, o Ateliê de Humanidades se propõe a pensar uma “revolução do dom”; revolução a ser entendida em duplo aspecto: na teoria, quando propõe outras formas de explicação e compreensão da vida social; e na prática, quando pensa o dom como horizonte da ação em diferentes esferas (religiosa, política, ética, econômica, administrativa, etc.).

O presente curso tem o intuito de apresentar os possíveis fundamentos teóricos do dom. Ele se divide em três módulos. Primeiramente (I), fazemos uma apresentação do próprio Ensaio sobre o Dom, contextualizando-o historicamente e no interior da obra do autor. Em seguida (II), apresentamos as distintas interpretações do dom feitas pelos principais intelectuais franceses do século XX, a saber: a do estruturalismo de Claude Lévi-Strauss, a do surrealismo de Georges Bataille, a da fenomenologia de Claude Lefort e, por fim, a da filosofia da hospitalidade de Jacques Derrida. Por fim, no último módulo (III), fazemos um percurso pelas tentativas contemporâneas de construção de uma teoria geral e integrada do dom, feitas por intelectuais vinculados direta ou indiretamente ao Movimento Anti-Utilitarista em Ciências Sociais (M.A.U.S.S.), mais especialmente Alain Caillé.

Na conclusão, apresentamos os possíveis desdobramentos teóricos do dom e suas fecundações sobre investigações em sociologia, antropologia, psicologia, história, religião, ética, economia, política e estudos organizacionais.

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