Fios do Tempo Poético. Trilogia do Riso Fundamental, por Ricardo Passos

O Fios do tempo desta quarta-feira, 19 de fevereiro, véspera de carnaval, é poético, pois poeticamente também se pode falar, criticar e rir do mundo, dos outros e de si mesmo. A “Trilogia do Riso Fundamental”, escrita por Ricardo Passos (heterônimo de André Magnelli) foi escrita no emaranhado de nosso tempo, inspirado-se em referências públicas e privadas.

Você pode ler a Trilogia do Riso Fundamental, mas pode também escutá-la por vídeo. Basta escolher o meio que achar melhor.


Trilogia do Riso Fundamental

Ricardo Passos*

La commedia patetica

Pateta!
Ator sem cena,
comediante sem piada,
insensata seriedade.

Palhaço!
Faz rir sem saber,
diverte a todos menos a si,
desconhece sua própria imagem.

Idiota!
Repete platitudes como verdades,
admira no espelho sua própria mediocridade.
És um verme que se crê umbigo do mundo!

Zombeteiro!
Vomita valores a dissimular a repulsa de seus gestos,
enfeita-se de sacralidade a encobrir a mesquinhez de seu caráter.
És o inflexível lavrador de uma infertilidade moral
e o astuto pastor de ovelhas sem alma.

Bem vindos todos!
Sejam todos bem vindos ao espetáculo dos novos atletas dos tempos!
Venham, venham todos,
e subam ao grande palco da tragicomédia humaníssima!

Venham e não esqueçam de ninguém!
Trump e Bolsonaro,
piedosos e incréus,
coixas e mortadéus
eus e voucéus…
todos, e todos, os patetas!


Um bufão final

Somos fracos
em nossas forças dissimuladas.

Somos pobres
em nossas riquezas almejadas.

Somos ambíguos
em nossas retidões desejadas.

Somos vazios
em nossas afirmações infladas.

Aiii, os bobos ainda erguerão
um império mundial
e a burrice, orgulhosa de si,
será enfim um sistema global.

O mundo há de acabar, ainda,
em uma grande comédia…
onde um bufão enfurecido,
chulo defensor da moral,
empoderado idiota presidencial,
solta o peido final!


Rir-se

A nossa perdição está na certeza
desta sua salvação,
pronto que você está, sempre,
a nos salvar.

Mas não tenha pena
de nós,
apenas ria, ria e ria
de si!

Mas não se ressinta
de nós,
apenas ria, ria e ria
de si!

Mas não tenha medo
de nós,
apenas ria, ria e ria
de si!

Ria de sua própria insignificância
e faça disso um valor universal.

Ria da tragédia que nos irmana
e adquira a leveza de um riso fundamental.

Ria da beleza deste mundo
sem Seu conveniente deus.
E nele descubra
um cintilar de nova sabedoria e
o início da cura de nossas almas!

* Ricardo Passos é um dos heterônimos de André Magnelli. Não sabe o que é heterônimo? Veja https://es.wikipedia.org/wiki/Heter%C3%B3nimo


Prefere escutar a poesia? Só assistir ao vídeo!

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