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Fios do Tempo. Ele não deveria viver para sempre? – Axel Honneth

Publicamos hoje, no Fios do Tempo, a tradução do artigo de Axel Honneth em homenagem a Jürgen Habermas: Sollte er nicht ewig leben?, publicado no Frankfurter Allgemeine Zeitung, em 15 de março. Agradeço ao Marco Aurélio Werle (USP) por ter nos autorizado a publicar a sua tradução.

Desejamos, como sempre, uma excelente leitura!

André Magnelli
Fios do Tempo, 17 de março de 2026

Catálogo do Ateliê de Humanidades Editorial


Ele não deveria viver para sempre?

Jürgen Habermas teve um impacto duradouro na filosofia e na teoria social. Sua morte marca o fim de uma era e deixa um grande vazio, não apenas para seus alunos e colegas.

Embora já se esperasse isso há semanas – ele não queria mais assistir passivamente à destruição de suas esperanças por uma Europa democrática e uma ordem mundial pacífica –, a dura realidade ainda me causa um grande choque. Nós, que lhe éramos próximos, não acreditávamos de alguma forma que Jürgen Habermas viveria para sempre e não nos deixaria sozinhos na miséria deste mundo?

Muitos agora falarão, com razão, do fim de uma era; não apenas o grande intelectual que, com rigor intransigente, alertou contra cada desenvolvimento negativo na República Federal, não apenas o filósofo mais importante que esta República Federal produziu desde a Segunda Guerra Mundial, nos deixou. Mas, ainda mais, o teórico social crítico que, como nenhum outro, resgatou o legado de Adorno para o nosso presente e o renovou com sua ideia de razão comunicativa, também desapareceu repentinamente. Nós, que queríamos segui-lo nisso, agora nos encontramos órfãos de uma só vez; nenhum de nós possuía a força intelectual e a confiança moral fundamental necessárias para dominar essa imensa tarefa.

Não era um narcisista e não tinha vaidades.

Enquanto viveu, alunos, colegas e companheiros se beneficiaram desse extraordinário dom filosófico; quando alguém se encontrava preso em seu próprio trabalho, aguardava a palavra orientadora do velho; quando alguém estava incerto sobre a avaliação de um evento político, ele dissipava as dúvidas com um julgamento consistentemente estrondoso, porém infalível; quando alguém se sentia inseguro sobre um novo desenvolvimento teórico, seu conselho nem sempre era correto, mas ele conseguia identificar espontaneamente os pontos cruciais.

Inesquecível também era a gargalhada sonora que ele podia soltar sempre que era pego em uma pequena artimanha filosófica ou em um caso embaraçoso de identidade trocada – ele não era vaidoso nem narcisista, possuía autoironia e humor renano, mesmo no auge de sua fama mundial. Tudo isso agora se perdeu para sempre. Pode ser que, com sua morte, a poderosa tradição intelectual da Escola de Frankfurt tenha chegado ao fim.

Quem se atreverá a reler Dialética do Esclarecimento na contramão e, apesar de toda a solidariedade com o profundo pessimismo dos dois autores exilados, tentará extrair dela a centelha de esperança para uma reconciliação comunicativa? Quem teria a capacidade de combinar diagnóstico contemporâneo, análise linguística, teoria social e ímpeto moral de modo a criar a totalidade coerente de uma obra monumental como Teoria da Ação Comunicativa? “Com a morte de Adorno”, disse Habermas em seu túmulo, “ficamos subitamente estéreis filosoficamente”. Quantas razões a mais temos hoje para reivindicar o mesmo para nós, que desejamos dar continuidade à sua obra?

Axel Honneth foi diretor do Instituto de Pesquisa Social

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